Patápio Silva
Olá amigos!
Hoje é aniversário de um músico que admiro muito. Ele nasceu em Itaocara - RJ (22/10/1880-81), cresceu em Cataguases (interior de Minas), onde aprendeu o ofício de barbeiro com o pai. Depois mudou-se para o Rio e se tornou um dos maiores flautistas do Brasil.
Este é o virtuosíssimo Patápio Silva.

Quando Patápio era menino, em Cataguases, tocava flauta de folha-de-flandres (que é uma flauta feita de uma "folha" de ferro) que conseguia com negociantes árabes.
Estudou solfejo e teoria com o maestro Duchesne que também morava em Cataquases. Assim que Patápio conseguiu uma flauta com chaves começou a tocar nas bandas dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Nessa época ele já se destacava e conseguiu ficar bastante conhecido.
Por volta de 1900 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde procurou o mestre Duque Estrada Meyer, que o viu como um "diamante bruto" e incumbiu a si mesmo a tarefa de lapidá-lo.
Duque Estrada Meyer preparou Patápio para o exame no Instituto Nacional de Música, onde já se matriculou no terceiro ano. Patápio fez todo o programa de flauta do INM, previsto para ser realizado em seis anos em apenas dois.
Na época em que ingressou no Instituto, começou a gravar discos para a Casa Edison. Em 1902, quando se formou com distinção ainda ganhou um concurso, onde levou o grande prêmio: uma flauta de prata!!!
Patápio era um assombro, seu domínio do instrumento era incrível.
Ouça aqui a gravação de Variações para Flauta, que na verdade é um trecho de Concert Fantasie Op. 382 de W, Popp. Veja se realmente não é de cair o queixo ouví-lo tocar esta obra. O Allegro de Terchack não é nem um pouquinho menos impressionante.
Patápio foi um brilhante flautista e excelente compositor. Patápio havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra. Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin... utilizava todos os recursos técnicos possíveis em suas músicas, fazendo com que apenas flautistas com o domínio pleno do instrumento sejam capazes de executar sua obra.
Ouça aqui a linda ária O Sonho, composta pelo próprio Patápio. Existem duas versões desta música: a versão impressa (que é a que o Altamiro Carrilho gravou em seu disco de homenagem ao Patápio, e é a que eu toco também) e esta que você acabou de ouvir, onde Patápio modificou a parte do meio.
Aqui você ouve a lindíssima Margarida, também composta por Patápio, e finalmente sua música mais famosa: a valsa Primeiro Amor. É legal ouvir "Só para moer", que mostra um lado mais popular do flautista, composta por Viriato Figueira da Silva
Patápio queria ir para Europa, para poder estudar música. Com este objetivo em mente, agendou uma turnê pelos estados brasileiros para conseguir juntar o dinheiro necessário para a viagem. Apresentou-se em Minas Gerais, São Paulo (onde foi acompanhado pelo jovem pianista Marcelo Tupinambá), Rio de Janeiro e Paraná. Fez muito sucesso na turnê, por onde passava deixava novos fans e critícas positivas nos principais jornais eram publicadas a seu respeito. Em Florianópolis contraiu difteria após uma apresentação espetacular e veio a falecer 5 dias depois, com apenas 26 anos. Realmente uma pena que a carreira deste músico tão brilhante tenha sido abreviada desta forma...
Existe uma versão mais "romantizada" da morte do Patápio, que os flautistas gostam de contar! =)
Bom, Patápio estava em Florianópolis e teria se apaixonado pela filha de um alemão de lá. O pai da moça não ficou nada feliz ao ver sua filha se engraçando com um músico negro. Então na noite do show, ele mandou que colocassem veneno no porta-lábio (aquela parte do bocal aonde a gente coloca a boca e sopra) da flauta do Patápio. Durante o concerto, Patápio lambia os lábios para umidecê-los (prática comum dos flautista) e ia ingerindo sem saber minúsculas quantidades do veneno. Foi passar mal depois do show e mesmo sob cuidados médicos depois, não resistiu... E esse teria sido o fim de um dos maiores flautistas que o Brasil já teve.
=)
Viram só? Histórinhas de flautistas!
Um beijo a todos,
Corina
Hoje é aniversário de um músico que admiro muito. Ele nasceu em Itaocara - RJ (22/10/1880-81), cresceu em Cataguases (interior de Minas), onde aprendeu o ofício de barbeiro com o pai. Depois mudou-se para o Rio e se tornou um dos maiores flautistas do Brasil.
Este é o virtuosíssimo Patápio Silva.

Quando Patápio era menino, em Cataguases, tocava flauta de folha-de-flandres (que é uma flauta feita de uma "folha" de ferro) que conseguia com negociantes árabes.
Estudou solfejo e teoria com o maestro Duchesne que também morava em Cataquases. Assim que Patápio conseguiu uma flauta com chaves começou a tocar nas bandas dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Nessa época ele já se destacava e conseguiu ficar bastante conhecido.
Por volta de 1900 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde procurou o mestre Duque Estrada Meyer, que o viu como um "diamante bruto" e incumbiu a si mesmo a tarefa de lapidá-lo.
Duque Estrada Meyer preparou Patápio para o exame no Instituto Nacional de Música, onde já se matriculou no terceiro ano. Patápio fez todo o programa de flauta do INM, previsto para ser realizado em seis anos em apenas dois.
Na época em que ingressou no Instituto, começou a gravar discos para a Casa Edison. Em 1902, quando se formou com distinção ainda ganhou um concurso, onde levou o grande prêmio: uma flauta de prata!!!
Patápio era um assombro, seu domínio do instrumento era incrível.
Ouça aqui a gravação de Variações para Flauta, que na verdade é um trecho de Concert Fantasie Op. 382 de W, Popp. Veja se realmente não é de cair o queixo ouví-lo tocar esta obra. O Allegro de Terchack não é nem um pouquinho menos impressionante.
Patápio foi um brilhante flautista e excelente compositor. Patápio havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra. Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin... utilizava todos os recursos técnicos possíveis em suas músicas, fazendo com que apenas flautistas com o domínio pleno do instrumento sejam capazes de executar sua obra.
Ouça aqui a linda ária O Sonho, composta pelo próprio Patápio. Existem duas versões desta música: a versão impressa (que é a que o Altamiro Carrilho gravou em seu disco de homenagem ao Patápio, e é a que eu toco também) e esta que você acabou de ouvir, onde Patápio modificou a parte do meio.
Aqui você ouve a lindíssima Margarida, também composta por Patápio, e finalmente sua música mais famosa: a valsa Primeiro Amor. É legal ouvir "Só para moer", que mostra um lado mais popular do flautista, composta por Viriato Figueira da Silva
Patápio queria ir para Europa, para poder estudar música. Com este objetivo em mente, agendou uma turnê pelos estados brasileiros para conseguir juntar o dinheiro necessário para a viagem. Apresentou-se em Minas Gerais, São Paulo (onde foi acompanhado pelo jovem pianista Marcelo Tupinambá), Rio de Janeiro e Paraná. Fez muito sucesso na turnê, por onde passava deixava novos fans e critícas positivas nos principais jornais eram publicadas a seu respeito. Em Florianópolis contraiu difteria após uma apresentação espetacular e veio a falecer 5 dias depois, com apenas 26 anos. Realmente uma pena que a carreira deste músico tão brilhante tenha sido abreviada desta forma...
Existe uma versão mais "romantizada" da morte do Patápio, que os flautistas gostam de contar! =)
Bom, Patápio estava em Florianópolis e teria se apaixonado pela filha de um alemão de lá. O pai da moça não ficou nada feliz ao ver sua filha se engraçando com um músico negro. Então na noite do show, ele mandou que colocassem veneno no porta-lábio (aquela parte do bocal aonde a gente coloca a boca e sopra) da flauta do Patápio. Durante o concerto, Patápio lambia os lábios para umidecê-los (prática comum dos flautista) e ia ingerindo sem saber minúsculas quantidades do veneno. Foi passar mal depois do show e mesmo sob cuidados médicos depois, não resistiu... E esse teria sido o fim de um dos maiores flautistas que o Brasil já teve.
=)
Viram só? Histórinhas de flautistas!
Um beijo a todos,
Corina

3 Comentários:
Olá,Corina!
Que alegria em saber que está escrevendo com frequência.Agora, sinto falta dos posts da Lia,hehe.
Tive o privilégio de ouvir e conhecer sobre o Patápio Silva(intimidade,hehe!), ao pesquisar alguns nomes de Flautistas do Brasil e,entre vários,como:Alessandro Penezzi, Altamiro Carrilho, Bebeto Castilho,Hermeto Pascoal,Carlos Payares,Benedito Lacerda,Joaquim Callado, Pixiguinha e...,fiquei curiosa com um nome bem diferente de que havia visto,hehe, PATÁPIO SILVA,então resolvi ler e ouvir algumas gravações e há algumas no youtube,tais como:O Sonho,a própósito é lindíssima!!!Também tem
Primeiro Amor,Alvorada das Rosas,Só para Moer(incrível!),Amor Perdido,Variações de Flauta,Zinha e Margarida.Vale a pena os visitantes do blog visitarem,hehe.
Parabéns pelo post,novamente, não consegui ouvir as gravações pelos links,mas pelo youtube,sim,uuufa!!
Fico a imaginar se estivesse permanecido por mais tempo,porque em pouco tempo compôs lindas e cativantes músicas.
Histórias de Flautistas,são características do Romantismo,hein?
:p
Beijos a todos.
De veras um grande flautista...
um orgulho para os flautistas e para a música brasilerira!
Sucesso à vocês!
Grande abraço!
Del Lima Jr.
Oi Corina!
Infelismente não consegui ouvir o Patápio através dos links que vc colocou no blog, mas vou tentar no youtube, no mais o BLog esta excelente, e isto é ótimo, pois terei muito o que apreciar pelo visto..hehe..e só maravilhas...valeu Corina, valeu meninas de ouro..tri-bjs.
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