Raul de Barros
Morreu esta semana o grande trombonista e compositor, Raul de Barros.
Ele faleceu na segunda-feira, dia 8, em consequência de um enfisema pulmonar e de insuficiência renal.
Raul estava com 93 anos e tinha sido internado no dia 29 de maio.
Raul Nogueira de Barros começou a tocar com 8 anos, assim como a gente. Começou a se apresentar profissionalmente na década de 30. Tocou em diversas orquestras como a do Copacabanda Palace e na RCA com Pixinguinha. Ainda trabalhou nas rádios Tupi, Nacional e Globo.
Como compositor, deixou várias obras, mas sua música mais conhecida é o choro "Na Glória", gravada por diversos intérpretes e tocada até hoje por chorões e estudantes de música de todo o país.
Raul teve também sua própria Banda, que gravou e acompanhou diversos cantores.
Fazendo a pesquisa para colocar material no site, descobri que não existe nenhum vídeo do Raul tocando no youtube. Isso realmente me deixou chateada. Ele não viveu em um tempo em que não se pudesse ter registro em vídeo, pra mim isso é mais uma prova do descado do Brasil com sua cultura, sua música e seus músicos...
Se colocarmos o nome de qualquer músico americano da mesma época em que viveu Raul, entraremos dezenas de vídeos.
** Se por acaso você tiver algum registro em vídeo do Raul, ficaríamos muito felizes se pudesse encaminhar para o nosso email (meninasdochoro@uol.com.br) ou deixar o link num comentário, para que a gente possa divulgar no blog. **
Ele foi um músico excepcional que influenciou e infuencia muita gente até hoje. Pra vocês terem idéia, o famoso trombonista Raul de Souza se chama João. Ele teria colocado o nome artístico de Raul em homenagem ao Raul de Barros.
Apesar de não o ter conhecido, acho que pelas fotos e principalmente pelas músicas, ele devia ser uma pessoa muito feliz e bem humorada (olha a capa do disco aí em baixo, rsrs).
Instrumentista virtuose, compositor de sucesso e um maestro excelente Raul foi uma grande perda pra música brasileira... pena que não termos conseguido conhecê-lo...
Bom, acho que agora ele está no céu tocando com o Pixinguinha, Benedito, Jacob, Dino e toda a sua turma... =)
Descanse em paz.
Beijos,
Corina

- clique aqui e ouça "Na Glória" com o próprio Raul - disco 78rpm, n° 12948 lado B, de 1949 para a Odeon
- aqui você ouve "Nervos de Aço" de Lupicínio Rodrigues, na voz de Deo. O acompanhamento é da "Banda Raul de Barros" - disco 78rpm, n°15785 lado A, de 1947 para a Continetal
- aqui você ouve o bonito choro "Eu hein!" de Felisberto Martins, interpretado por Raul de Barros e Regional - disco de 78rpm, n°12948 lado A, de 1949 para Odeon
- Caso você queira ouvir mais gravações do Raul de Barros visite o Instituto Moreira Salles:
http://acervos.ims.uol.com.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/


4 Comentários:
Este comentário foi removido pelo autor.
Olá,Corina e meninas!
Bom,encontrei um vídeo no site da globo:http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1187596-5606,00.html
Provavelmente, vocês até tenham visto!É uma entrevista bem interessante e interativa. Caso não tenham visualizado,vale a pena conferir e apresentar aos visitantes do blog,ok? É,infelizmente, deixa a desejar a valorização à nossa cultura brasileira.
Parabéns pelo post e por nos proporcionar oportunidades de ouvir as belas músicas citadas no blog,ok? Com certeza, ele juntamente, com os outros mestres da música, estão fazendo uma festa no céu,assim, como você mesma citou,portanto,é alegria no céu e tristeza na terra...
Perdão pela ausência,ok? Assim, se possível retornarei aos comentários!
Beijos e saudades!!!!
:)
Este comentário foi removido pelo autor.
Olá Meninas do Choro,
Bela lembrança, bela homenagem, belo texto, belo protesto acerca de nossa memória musical. No entanto, tem uma meninada cada vez melhor chegando, passos à frente e olhando para outrora: Roberta Sá, Tereza Cristina e Pedro Miranda, estes dois, pura nobreza em reverência aos sons de tantos tempos; Maria Porto, Meninas do Choro, êta Meninas! Muitos e muitas por este mundão de Guimarães Rosa, que alimenta e realimenta a todos de boa audição. No mais, "pra quê discutir com madame?", o que vale é não deixar o samba morrer.
No Trombone do Maestro a leveza de um tempo, tão bem retratada na capa do LP, este vinil que, por sinal, não largo nunca. A melodia que revoa ao comando do sopro sagrado alimenta nosso imaginário acerca de uma época onde até o malandro era poético, nobre em sua elegância, versado por Chico, Adorinans, Moreiras, Barbosas e Silvas. Parabéns Corina!
E esta festa por lá, com tanto talento, só pode fazer anjos e arcanjos reverem as notas de tuas trombetas. Em uma nuvem flutua Pixiguinha, Ari, Jacob, entre tantos Cavaquinhos; em outra Elis, Vinicius, Nara, Jobim, O fino da Bossa!
Ainda bem que por estes solos ficam Chico, Edu Lobo, a benção Violeiro Elomar, Boldrin, Bibi Ferreira, a benção Elza Soares, muito em canto de Virginia Rodrigues, Teca Calazans louvando Villa Lobos, Zizi Possi, Na Ozzetti, Jessé Quirino, Juraildes da Cruz, Meninas, do Choro, do Samba, da Bossa, tanto, tanto que não para para manter "viva" esta chama que deveria ser de todos como o sol é Paratodos.
Fala Chico! Homenageia os de ontem, homenageia as Meninas, os visitantes do blog, fala Paratodos:
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antônio Brasileiro
Foi Antônio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethânia, Rita, Clara
Evoé, jovens a vista
O meu pai era paulista
Meu avô pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro
Sérgio Bitencourt/Goiânia
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