Ontem nos sentimos como Ernesto Nazareth, sabe por quê?
Tocamos em uma sala de cinema, em Indaiatuba!
Isso mesmo, hehe, fizemos um show antes da exibição do filme clássico, "A um passo da enternidade".
Tocamos no cimena Topázio Indaiatuba, que a cada dois meses, em um sábado, exibe um clássico do cimena com café da manhã, e que eventualmente traz um grupo musical.
Tocamos na 52ª Semana da Manhã Nostálgica, e tivemos uma surpresa muito bacana.
O pessoal do Sr. Moacir compareceu em massa ao show, e alguns até levaram os instrumentos.
Não podíamos perder a oportunidade e os chamamos pra dar uma canja com a gente ao final do show.
Com a participação do André e do Fábio no bandolim, do Valter na flauta e do Sérgio no cavaco, tocamos Zinha, do Pattápio Silva, Naquele Tempo, do Pixinguinha e Benedito Lacerda, Noites Cariocas, do Jacob do Bandolim, Brasileirinho, do Waldir Azevedo e Carinhoso, do Pixinguinha e João de Barro, que também teve a participação da platéia cantando!
Depois do show, acompanhadas pelo Sr. Paulo e pelos meninos, tomamos um café da manhã delicioso! Com pão de queijo, broa de milho, carolina, etc, só de lembrar já dá água na boca!
Durante o café, tivemos ainda um palhinha do Sérgio tocando Cello e da Elisa tocando algumas composições no bandolim. Café bom esse, né? Quitutes deliciosos com uma boa música de acompanhamento hehe
Depois do Café, o Sr. Paulo nos levou aos bastidores do cinema! É isso mesmo que você está pensando, fizemos uma visita pelas salas de projeção com um craque no assunto, afinal o Sr. Paulo está no meio cinematográfio há praticamente 50 anos.
Ficamos tão empolgadas, que infelizmente esquecemos de fotografar, mas sempre vamos lembrar dos rolos de filme dos enormes projetores.
Para encerrar o dia, almoçamos uma comidinha mineira jóia, com o Sr. Paulo e com a Sra. Enriqueta.
Com toda certeza, viramos fãs das Manhãs Nostálgicas de Indaiatuba!
Comemoramos pelo segundo ano, o Dia Estadual do Choro!
Ano passado a Lei 13.447/09, de iniciativa do deputado Paulo Alexandre Barbosa, foi oficializada a homenagem ao Choro, sendo comemorado no dia 28 de junho, aniversário de um dos maiores músicos brasileiros, o Garoto.
Nome artístico, do paulista Aníbal Augusto Sardinha, que se estivesse vivo, completaria 95 anos.
“Assim como Pixinguinha está para a Música Popular Brasileira, Garoto está para São Paulo, por ser seu maior expoente do choro, merecendo, portanto, que o dia 28 de junho, passe a ser lembrado como o “Dia Estadual do Choro”, comemorado anualmente aqui no Estado de São Paulo”
Deputado Paulo Alexandre
Garoto nasceu em São Paulo no dia 28 de junho de 1915, é filho de portugueses, Antônio e Adosina, sendo que o pai tocava guitarra portuguesa e violão e o irmão tocava banjo e outros instrumentos.
Começou a tocar sozinho, de ouvido, e com 11 anos ganhou o primeiro instrumento, um banjo, do irmão, e passou a tocar no Regional dos Irmãos Armani e a ser chamado de Moleque do Banjo.
Em 1930, com o violonista Serelepe, apresentou-se para o Diretor Artistico da Parlophon, Maestro Mignome, sendo os dois convidados para gravar. Lançaram então, Bichinho de Queijo e Driblando, ambas composições de Garoto.
Na porta da gravadora, trava relações com Zezinho, conhecido mais tarde como Aimoré.
"Em 1929, no Palácio das Industrias, tive minha primeira oportunidade, tocando com Canhoto, Zezinho e Mota, para um programa da General Motors.
Éramos um grupo grande. Tempos depois, formamos uma Orquestra, com uniforme, gravatinha preta e calça de flanela, e depois comecei a tocar sozinho, e com o falecido Pinheirinho Barreto e Aluisio Silva formamos um novo grupo. Foi quando gravamos "Zombando da Morte", um Samba que se tornou muito popular."
Garoto - Correio Paulitano - Dezembro de 1949
Em 1931, substituindo o Zé Carioca, no Conjunto Regional, atua profissionalmente na Rádio Educadora Paulista (Gazeta).
Em 1934, a convite de Jaime Redondo, se torna integrante do Conjunto Chorões Sertanejos, no qual substituiu anteriormente Derbagno, viajando pelo interior paulista.
Por sugestão de Jaime, troca o nome artistico de Moleque para Garoto do Banjo.
Tocou em Curitiba, Porto Alegre, Buenos Aires, onde acompanhou Carlos Gardel e em Santos, onde acompanhou Silvio Caldas com Aimoré.
Em 1936, gravou com Aimoré pela Columbia dois 78 rpm, com composições próprias.
No mesmo ano, foi para o Rio de Janeiro com Aimoré, a convite de Silvio Caldas,chegando a estreiar na Rádio Mayrink Veiga.
Mas, por problemas de saúde, retornou a São Paulo, onde foi convidado em 1937 para integrar o conjunto Regional da Rádio Cruzeiro do Sul.
Dois anos depois, casou-se, desfez a dupla com Aimoré e retornou ao Rio de Janeiro.
Começou a trabalhar na Radio Mayrink Veiga, que tinha um elenco de grandes estrelas, como Carmen Miranda e Laurindo de Almeida.
Com Laurindo, formaram o duo de ritmo sincopado, e o grupo Cordas Quentes.
O duo participou de várias sessões de gravação, para Henricão, Carmen Costa, Jararaca e Zé Formiga, Alvarenga e Ranchinho, Dorival Caymmi, Ary Barroso e Carmen Miranda, para citar alguns.
Com a saída do violonista Ivo Astolfi do Bando da Lua, Garoto entra para o "bando" e permanece por dois anos.
Ainda em 1939, recebe uma proposta de Carmem Miranda para ir aos Estado Unidos.
Querido Garoto:
Espero que você tenha gostado da idéia de vir para cá, e aceite-a pois esta terra é a melhor do mundo, só você estando aqui é que acreditará
Estamos ansiosos para que você; venha, eu e os rapazes.
Abraços da Carmen.
Aceitou o convite, e em 18 de outubro de 1939 embarcou no navio Uruguay para os Estados Unidos, para uma estadia que entre outras coisas rendeu-lhe o título de "O homem dos dedos de ouro", dado pelo organista Jesse Crawford.
Garoto era uma atração extra nos shows de Carmem, sua habilidade única atraíam uma platéia diferente, Duke Ellington e Art Tatum eram, entre outros, assíduos na platéia.
Após oito meses trabalhando para Carmen, em diversas cidades americanas, Broadway, filmes e até tocando para o Presidente Roosevelt na Casa Branca, Garoto voltou ao Rio de Janeiro.
Logo após o seu retorno, formou o conjunto Garoto e seus Garotos. Mais tarde, quando o conjunto se rompeu, fez uma série de gravações para Rádio Nacional e atuando na Orquestra da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali.
De 1942 a 1946, gravou seis 78 rpm com Carolina Cardoso, sobre o título de Garoto e Carolina.
Em 1951 formou uma dupla com José Menezes, participando do programa Nada Além de Dois Minutos, trocando de instrumento sem perder a sequência das músicas, alternando entre violão, violão - tenor, guitarra e cavaquinho.
Ainda com José Menezes participou de vários programas e gravou vários discos.
Em 1952, formou o Trio Surdina, que lançou mais tarde um LP, com a gravação de uma das suas músicas de maior sucesso Duas Contas.
No mesmo ano, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, executou o concerto n° 2 para violão e orquestra, de Radamés Gnattali, dedicado a ele.
Em 1953 compôs, com Chiquinho do Acordeon, São Paulo Quatrocentão (com letra de Avaré), para o IV Centenário de São Paulo, que vendeu 700 mil discos! Isso mesmo, 700 mil.
No mesmo ano, gravou seu primeiro disco como violonista, pela Odeon, gravou Abismo de Rosas (ouça aqui) e Tristezas de um violão, de sua autoria.
Durante a sua carreira, teve aulas com Atílio Bernardini, João Sepe e com Radamés Gnattali.
Além de São Paulo Quatrocentão, Garoto compôs várias músicas de sucesso, como Duas Contas, Gente Humilde, Lamentos do Morro, Desvairada (ouça aqui), Quando Dói Uma Saudade (ouça aqui), etc.
Infelizmente, Garoto faleceu muito cedo, com apenas 39, em 1915, quando planejava uma excursão à Europa.
Depois de uma semana de chuva e frio, tocamos no domingo (23) em Indaiatuba com o maior sol! hehe
Participamos da Virada Cultural 2010, abrindo o dia do encerramento do evento em Indaiatuba.
Bom, vamos começar do começo hehe rebobinando a fita...
Fomos quarta-feira pra Indaiatuba para fazer 3 entrevistas sobre o show de domingo.
Primeiro fomos na Rádio Jornal, onde nós fomos entrevistadas pela simpaticíssima Rosa, e voltamos na sexta-feira!
Depois fomos para a Revista Destaque, onde e batemos um papinho, enquanto tirávamos algumas fotos, com o Carlos e a Ivani.
E pra terminar o dia fomos pro Jornal Tribuna, onde tivemos uma conversa de alta qualidade musical, com o Kimura.
Com previsão de uma semana fria, ficamos muito surpresas ao chegar em Indaiatuba e encontrar o maior calor.
Chegamos por volta do meio dia, pra passagem de som, afinal o nosso show era as 14h, e pegamos o finalzinho da passagem de som da banda da Bebel Gilberto.
Um abraço pro Pirata (técnico) e a sua equipe, o som ficou muito bom!
Como nós tocamos no Parque Ecológico, preparamos um repertório especial. Tocamos alguns choros relacionados a natureza, como o Atlântico, Jurity, O Gato e o Canário, Harmonia Selvagem, muito mais.
São Pedro ficou tão animado com o nosso show, que fez uma "iluminação especial" hehe um sol de rachar o coco! Nós todos tocamos de óculos escuro pra poder ficar com os olhos abertos hehe
O público conseguiu se acomodar embaixo de algumas árvores e palmeiras, pra poder aproveitar a sombra, mas mesmo assim, tivemos alguns bravos bem na frente do palco pegando um brozeado hehe, como o André, o Fábio e o Sr. Moacir, que é Mestre do Choro na cidade, e que estava com todo o pessoal do choro lá.
Nós ainda tivemos a presença do Maestro Júlio com a família e a Zezé com o Jean.
Foi ótimo tocar em Indaiatuba e esperamos repetir a dose em breve (só não fazemos questão da "iluminação natural" hehe)
Foi com muita alegria que vimos a matéria que o pessoal do Jornal Ipanema escreveu sobre a gente!
Logo depois da nossa participação no programa de rádio Jornal da Manhã, que fica no mesmo prédio que o jornal. O post abaixo é sobre a nossa participaçao no rádio, foi lá que conhecemos o pessoal do Jornal Ipanema, como o Urbano Martins, que é editor do jornal e da rádio hehe
Bom, pra ler a matéria é só clicar no link Leia aqui!
CHORO DAS 3 - JORNAL DA MANHÃ NA JOVEM PAN SOROCABA!
Ontem acordamos bem cedinho e pusemos o pé na estrada hehe
Chegamos na Jovem Pan de Sorocaba e já fomos direto pro estúdio, onde fomos recebidas pelo simpatissíssimo Urbano Martins!
Ele é o editor da Jovem Pan e do Jornal Ipanema, ambos no mesmo prédio.
Bom, ele nos levou ao estúdio em que o Zé Roberto já estava apresentando o Jornal da Manhã desde as 7h!
Curiosamente o Zé Roberto é nosso conterrâneo hehe ele é de Porto Feliz também. É surpreendente como sempre encontramos com portofelicenses aonde quer que a gente vá, e sempre bem sucedidos, o que acaba nos incentivando.
Entramos no ar tocamos e batemos um papinho bem gostoso, que ainda teve a participação especial da nossa querida amiga e assessora de imprensa, a Carla!
Fizemos uma pausa para a entrevista do Prefeito Vitor Lippi de Sorocaba, que ao final da entrevista pediu uma música do Jacob do Bandolim.
E a Elisa, que é bem do-contra, tocou uma no clarinete, hehe, o Benzinho.
Depois do programa, ainda conversamos um pouquinho e fomos tomar um café delicioso da Padaria Real humm
Sexta - feira passada, dia 23 de Abril, foi comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional do Choro!
Esta data foi escolhida em homenagem ao nascimento do Mestre Pixinguinha (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1973).
E pra comemorar esta data especial, o pessoal do Pontapé Inicial nos convidou pra fazer um programa com eles.
Foi muito bom poder rever todo o pessoal do programa e receber mensagens de todo o Brasil.
Durante o programa conversamos sobre música, o nosso próximo cd, o roubo das figurinhas hehe, etc
O programa é ótimo!
Apesar de ser um programa esportivo, o Trajano e o Dudu sempre falam de música e arte. Uma coisa muito bacana é que eles sempre falam dos artitstas que fazem aniversário no dia, sempre mostrando alguma imagem, gravação do mesmo.
Por exemplo, no dia 23 eles mostraram dois videos do Pixinguinha, um dele tocando com o Baden Powell e outro com o Benedito Lacerda.
O Pontapé Inicial é transmitido todas as manhãs (10h) pela ESPN Brasil, e é um programa que vale a pena dar uma espiada.
Bom, você pode ver algumas fotos clicando na imagem abaixo:
Então, vamos aproveitar para ouvir algumas músicas:
Fon-Fon!- tango
"dedicada ao distincto amigo Mário Baptista Martins Barata".
piano: Arthur Moreira Lima
Quebradinha- polca
"própria para serenatas".
dedicada a seu filho Ernestinho.
Piano: Arthur Moreira Lima
Bandolim: Joel Nascimento
Trombone: Zé da Velha Regional: Época de Ouro
Tenebroso - tango
"Ao bom e velho amigo Sátyro Bilhar".
Jacob do Bandolim Regional: Época de Ouro
Matuto - tango
"dedicado ao amigo sincero Arnaldo Costa".
intépretes: Pixinguinha e Benedito Lacerda
Apanhei-te, cavaquinho!.. - polca
"Dedicada ao distincto e particular amigo Juracy Nazareth de Araújo".
piano: Ernesto Nazareth
clique aqui para ouvir. "Dedicado ao primo e amigo João Cândido de Castro Leal". Bandolim: Garoto
Brejeiro - tango
"Ao sobrinho Gilberto Nazareth".
obs: Primeiro "tango" publicado de Nazareth.
Regional:Choro das 3, hehehe
Ernesto Nazareth, em 1903
Espero que você tenha gostado de ouvir algumas músicas e de relembrar deste compositor espetacular, que influenciou a música brasileira positivamente, e principalmente o choro, que herdou o seu estilo "melodioso".
Por essa e por muitas outras, Ernesto Nazareth, me faz sentir orgulho de ser brasileira.
*Hoje é aniversário do bandolinista e compositor Evandro do Bandolim*
Evandro do Bandolim
Josevandro Pires de Carvalho ou Evandro do Bandolim ( João Pessoa, PB 19/03/1932 - São Paulo, SP 30/10/1994), com apenas dois anos de idade, se mudou com a família para o Rio de Janeiro.
Como seu pai tocava violão, desde muito cedo Evandro se interessou pela música.
Aos treze anos, começou a tocar bandolim, tendo aulas com o exímio bandolinista Luperce Miranda ( é pra quem pode! hehe).
Luperce Miranda
E nessa época, já frequentava as rodas de choro, e também passou a participar de programas de rádio
(ex: Rádio Mayrink Veiga e Rádio Tupi).
Cinco anos após gravar o seu primeiro LP, pela gravadora Chantecler, aos vinte e nove anos, Evandro se mudou para São Paulo, onde a sua carreira deu um grande salto, tocando em boates e emissoras de televisão.
Infelizmente, eu não consegui achar muitas informações sobre o Evandro, no entanto, ele é um instrumentista conceituado no meio do choro, tendo gravado muitos cds no Japão, onde ele também é muito querido.
Em sua homenagem, a sala de choro no fundo da loja Contemporânea, leva o nome de "Sala Evandro do Bandolim".
- Ouça "Ainda me recordo" - Pixinguinha e Benedito Lacerda, por Evandro do Bandolim e seu regional e Manezinho da flauta.
- Ouça "Cochichando" - Pixinguinha e Benedito Lacerda, por Evandro do Bandolim e seu regional e Manezinho da flauta.
- Ouça "Um a Zero" - Pixiguinha e Benedito Lacerda - por Evandro e seu regional e Manezinho da flauta.
Gostou? Então, procure ouvir o cd "Choro dos mestres", do Evandro e seu regional interpretando músicas do Pixinguinha e Benedito Lacerda.
Hoje, dia 14 de março de 2010, Benedito Lacerda estaria fazendo 107 anos. Infelizmente ele não está entre nós desde 1958, mas através dos registros fonográficos sua flauta maravilhosa e sua obra continuam nos encantando.
O engraçado é que eu descobri o "Benedito" há uns 9 anos atrás, quando o violonista Ed Gagliardi gravou umas fitas para mim com algumas interpretações do flautista, e desde então eu junto e ouço TUDO o que leve o nome dele, e vivo me surpreendendo.
Sempre converso com diversos músicos sobre a importância do Benedito Lacerda para a música popular brasileira e cada vez mais fico impressionada com o que ele fez.
Esta sexta-feira fui almoçar com o amigo Barão do Pandeiro (pandeirista que herdou a linguagem do mestre João da Bahiana, e que cresceu na cidade do Rio de Janeiro. O Barão conheceu e conviveu com grande parte dos maiores músicos que o país já teve e é incrível ouvir suas histórias), e estávamos conversando sobre ele.
" ... tem uma coisa sobre o Benedito, Corina, que pouca gente se liga. Ele foi o primeiro flautista de "samba" do Brasil. Porque veja bem, ele saiu da cidade dele (Macaé), onde ele tocava em bandas e tudo mais e depois foi pro Rio e caiu lá no morro do Estácio. Ele absorveu toda a música daquele lugar. O primeiro conjunto dele, o Gente do Morro, tinha na percussão o pessoal que fundou a primeira Escola de Samba..." E realmente é impressionante o balanço, o timbre da flauta, a divisão... era completamente diferente dos outros flautistas da época. Podemos compará-lo com Dante Santoro, por exemplo. Dante era um excelente flautista, dono de uma técnica de primeira. Mas ele era músico erudito. Ele não tinha a malícia e o balanço do Benedito.
Proponho uma comparação entre 3 grandes flautistas brasileiros: Pxinguinha, Benedito Lacerda e Dante Santoro. O objetivo não é dizer quem é melhor ou pior, até por que os três foram geniais, mas apenas mostrar a diferença de linguagem e interpretação entre eles. Felizmente tenho a mesma música, "Urubú Malandro", gravada por todos.
Então vamos ouvir o "Urubú" na versão do Pixinguinha e os 8 Batutas. Esta é a gravação mais antiga das três. Eu ADORO essa gravação. Os improvisos são simplesmente geniais.
Agora vamos ouvir o "Urubú Malandro" que foi gravado ao vivo pelo Benedito Lacerda na flauta e o Pixinguinha no sax, com direito a uma locução do Almirante para o programa "O Pessoal da Velha Guarda". O programa é de 1947.
(caso você queira ler o que aconteceu neste programa veja a transcrição que o pianista Alexandre Dias fez aqui. Se você quiser adquirir os programas na integra acesse o site da Collectors, que tem os acetatos originais). Esta é a do Dante Santoro, provavelmente de 1950.
Viu? Todas as gravações são muito boas, mas é possível perceber nitidamente a diferença de fraseado. No DVD "A Fala da Flauta" do mestre Altamiro Carrilho, ele conta um pouco sobre a sua relação e admiração pelo Benedito. Ele também fala sobre, Pixinguinha, Patapio Silva e Dante Santoro.
“Deles todos o que eu mais admirava era Benedito Lacerda, sem menosprezar ninguém. Ele foi um criador de um estilo novo, uma maneira nova de tocar, tinha um swing leve, alegre, sutil, com balanço rítmico impressionante, isso fazia a diferença”. (Altamiro Carrilho) - www.musicosdobrasil.com.br/benedito-lacerda
O Barão do Pandeiro e o Ed Gagliardi tiveram a sorte de poder conviver um pouco com o pessoal da antiga e ambos me contaram que " o Dino dizia sempre que o Benedito fazia uma introdução perto do microfone no estudio e depois se afastava uns 3 mestros quando o cantor começava a cantar. Aí ninguém segurava o homem. Ele saia pela sala de gravação dançando e fazendo contra-cantos..."
No filme "Alô, Alô Carnaval" é possível ver como ele dançava enquanto fazia os contracantos.
Achar este filme foi um grande presente pra mim. Estou procurando há 9 anos já... =)
Aniversário do Benedito, presente pra Corina! hehehehhe.
(O Benedito entra nos 5:35min do filme)
É... que coisa linda é a obra deste homem... Mesmo após 9 anos, continuo me emocionando toda vez que o ouço.
O Benedito se foi, infelizmente, mas ele vive e viverá para sempre através de suas gravações e no sopro dos flautistas que buscam esta brasileiríssima linguagem de flauta.
Espero que tenham gostado do Benedito, meu grande mestre!
Oi!
Vamos continuar com a história do grande compositor Frédéric Chopin. *Relembrando que, essa semana foi comemorado o seu bicentenário.*
manuscrito original de Frédéric Chopin, da "Tarantella, op.43, 1841.
Quando Chopin regressou à Varsóvia, já nos meses seguintes continuou às aulas no conservatório, e se empenhou bastante em compor. Escreveu várias composições, Fantasia sôbre Árias Polonesas - Opus13, e o Rondó à la Krakowiak - Opus 14, ambos para piano e orquestra, entre outras.
Em 20 de julho de 1829, Chopin concluiu o curso e recebeu o certficado, no qual havia uma observação do seu professor Joseph Xaver Elsner:
"Capacidade excepcional. Gênio musical".
Mikolaj Chopin percebeu que, seu filho era um prodígio e a Polônia não lhe oferecia condições para desenvolver o seu talento. Então, Joseph Elsner fez uma petição ao Ministério da Instrução Pública, pedindo uma verba oficial, que permitisse ao jovem viajar para o exterior, para ter contato com os grandes mestres estrangeiros.
A resposta do Ministro Grabowsky foi:
"[...] os fundos públicos não podem ser desperdiçados com o sustento desse tipo de artistas[...]"
Apesar da falta de apoio do governo polonês, a família Chopin se esforçou e juntou suas economias, e enviaram Chopin para Viena, em 1829.
Na cidade dos grandes mestres, como Mozart, Beethoven e Haydn, Chopin procurou o editor Haslinger para publicar suas obras. Este propôs que Chopin fizesse uma apresentação pública, e conforme fosse a reação do público eles entrariam num acordo, pois Haslinger não queria correr riscos.
Introdução e Polonaise Brilhante para pianoforte e violoncello ou violino, 1836
Em agôsto, o jovem pianista se apresentou, e a exigente platéia vienense o aplaudiu calorosamente. Alguns críticos, acostumados com a eloqüência usada pelos músicos da época, acharam que o rapaz precisava tocar com mais vigor. A despeito disso, a apresentação foi um sucesso, e por exigência do público, Chopin se apresentou novamente na semana seguinte.
Os maiores nomes do momento vinham cumprimentar Chopin, e o editor Haslinger não sustentava mais dúvidas quanto à públicar as suas obras. Depois de algumas semana, o jovem regressou à Varsóvia.
Tobias Haslinger, 1817
Na época que estava no conservatório, Chopin havia se apaixonado por Constantia Gladkowska, uma jovem cantora. No entanto, por causa da timidez de Chopin, Constantia não sabia dos sentimentos dele por ela. Apenas o seu amigo Tytus Woycechowsky estava a par da situação. Portanto, a composição do Concêrto em Fá Menor - Opus 21, para Piano e Orquestra foi desgastante para Chopin, pois seu espírito estava longe, pensando em Constantia, e não conseguia finalizar o trabalho.
"[...]Talvez, para minha desgraça, já tenha encontrado o meu ideal, a quem venero com toda minha alma[...] É com ela que sonho[...] E a ela dedico o Adagio do meu Concêrto[...]"
Frédéric Chopin
(obs: Constantia tomou conhecimento do amor de Chopin somente na sua velhice).
Adagio: indica um andamento (lento), ou no caso, é utilizado para dar nome a um movimento de uma sonata, sinfonia ou concêrto, e este deve ser tocado lentamente.
No dia 17 de março o Concêrto em Fá menor foi estreado no teatro Nacional de Varsóvia. As entradas se esgotaram e o sucesso foi absoluto : )
A idéia de viver no exterior, longe de Constantia e de sua família, deixou Chopin muito confuso, e com dificuldade para levar adiante o Concêrto em Mi Menor - Opus 11, que já iniciara. No entanto, ele sabia que era necessário buscar conhecimento e outros ambientes para desenvolver a sua genialidade.
Apesar disso, ele não conseguia ficar sem produzir música, e assim, compôs sucessivamente o Noturno em Dó sustenido menor, nº20 (publicado após a sua morte), os três Noturnos - opus 9, os dois primeiros Noturnos - opus 15 e o Estudo em Mi Maior - opus 10, nº3.
manuscrito original de Chopin, Noturno op.27, nº2
Algum tempo depois, Constantia e Chopin apresentaram-se juntos, e este tocou o Concêrto em Fá menor com muita emoção. Foi a sua despedida de Varsóvia.
Na manhã seguinte, completara vinte e um anos, e com um punhado de terra polonesa numa caixinha de prata, Chopin disse adeus à Polônia e foi para o sul.
manuscrito original de Chopin, Concerto em Fá menor, op.21 para piano e orquestra.
Assim que chegou em Viena, percebeu que esta não parecia a mesma cidade que conhecera. O público só assistia apresentações de músicos conhecidos, as salas de concêrto só aceitavam contratos com meses de antecêdenica, e dezenas de pianista lutavam para ter o seu espaço. O que o deixou um tanto chateado.
E para piorar, chegavam notícias de Varsóvia que uma nova revolução estava em curso, por causa da decisão russa de usar o exército da Polônia para acabar com o movimento nacionalista dos belgas. Os poloneses se identificavam com os belgas, e por isso ergueram armas contra o domínio russo-prussiano.
No começo, seus compatriotas tiveram algumas vitórias, mas depois a Rússia lançou uma violenta contra-ofensiva e as notícias que vinham de Varsóvia passaram a não ser muito boas.
Sua família já não respondia suas cartas, e atormentado Chopin compôs as melancolicas Scherzo em Simenor e a belíssima Balada em Sol Menor. Depois de muita dificuldade para conseguir um visto em seu passaporte, Chopin foi para a França.
Recebendo as tristes notícias de que o os russos estavam agindo com mais severidade, Chopin compôs o Estudo nº12, opus 10, e depois o famoso Estudo Revolucionário.
Setembro estava chegando ao fim, e Chopin estava sem dinheiro quando chegou em Paris. traduziu o seu nome para Frédéric François Chopin (assim como o seu pai havia traduzido seu nome para o polonês) e saiu em busca do sucesso e da fortuna.
Mozart ainda merecia respeito, mas as pessoas já não queriam ouvir músicas do clássicismo. Franz Liszt desbravava um novo caminho na música.
Frans Liszt, por Henri Lehmann
Apesar da sua formação classicista, Chopin fez sucesso entre a renovação que acontecia na música, e recebeu aplausos encorajadores do grande pianista e compositor (que era uma popstar da época) Franz Liszt e também de Mendelssohn, que o cumprimentaram pessoalmente.
O Príncipe Radziwill, que uma vez o ajudara quando pequeno, novamente se prontificou em ajudar Chopin, levando-o em uma festa na casa do Barão Rotschild.
Lá, Chopin tocou suas composições, e depois muitas pessoas vieram lhe pedir para ter aulas de piano; na época, as pessoas mais ricas de Paris. E assim, passou a frequentar o círculo da alta sociedade.
Chopin tocando para o Príncipe Radziwill, por Henryk Siemiradski
Na tournée que fêz pela Alemanha, em 1834, Chopin foi aclamado pelas cidade que passou: Aix-la-Chapelle, Dusseldorf, Koblenz e Carlsbad.
Nesta última, teve a grande felicidade de encontrar com seus pais, e passou um mês com eles. Depois os levou até a fronteira da Polônia, e seguiu para Dresde, onde teve outra agradável surprêsa: Felix Wodzinsky, ex-colega do Liceu, estava lá com toda a sua família, e o encanto de sua irmã, Maria Wodzinska, cativou Chopin. Dessa vez não deixou sua paixão em segredo, e dedicou à Maria a Valsa nº9 em Lá Bemol Maior (hoje famosa como "Valsa do Adeus")
Quando regressou à Paris, no fim de 1835, Chopin estava mais feliz do que nunca.
Infelizmente, nesse momento de alegria uma má notícia: os primeiros sinais de tuberculose, que nunca mais o deixaria, e uma febre começou a incomoda-lo todos os dias.
Ele tinha combinado de se encontrar com os Wodzinsky em Carlsbad,e de lá seguir para Dresde, onde Maria se tornou sua noiva. No entanto, o noivado não durou muito tempo, pois a mãe de Maria não queria que sua filha casasse com alguém com a saúde fraca e nem com um artista, que não teria um futuro certo.
Deprimido pela doença e com o fim do romance, ele juntou todas as cartas dos Wodzinsky num maço e escreveu "Moja bieda" (minha desgraça).
"Moja Bieda": minha desgraça. Maço contendo a correspondência entre Maria Wodzinska e Chopin
Nem a sua depressão, nem a doença fez com que Chopin se afastasse da música. Continuou compondo e lecionando, até que, no final de 1837, iniciou uma relação com a excêntrica escritora Aurore Dudevant, que assinava seu livro com o pseudônimo masculino George Sand. Ela era completamente oposta à personalidade de Chopin, mesmo assim, os dois viveram oito anos juntos.
George Sand, por Auguste Charpentier, 1835
O casal passou um perído na ilha de Majorca, para tentar restabelecer a saúde de Chopin, mas não conseguiram êxito. Depois, afastando-se da escritora, Chopin visitou a Inglaterra, e lá deu concêrtos e fez amigos.
Chopin e George Sand, por E. Delacroix
Em 1849, quando voltou à França, era um homem triste, doente e pobre. Apesar de ter ganho fortunas, gastou tudo. Por isso, dependia da generosidade de amigos para manter-se.
No dia 17 de outubro de 1849, às duas horas da madrugada, sua respiração ofegante cessou. Aos trinta e nove anos, Frédéric François Chopin faleceu.
Ele foi enterrado no cemitério Père Lachaise, em Paris, acompanhado pela elite da sociedade e da arte parisiense.
Durante o silêncio da cerimônia, ouviu-se o ruído de uma caixinha de prata que estava aberta. Nela, havia um punhado de terra da Polônia, que foi lançado sobre o túmulo, cumprindo a última vontade de Frédéric Chopin.
Essa semana foi comemorado o bicentenário de um compositor espetacular.
Frederyc Franciszek Chopin ou Frédéric François Chopin, vulgarmente conhecido apenas como Chopin( 01/03/1810 e 17/10/1849 ).
Obra de Eugène Delacroix, óleo sobre tela, 1838, Museu do Louvre, Paris.
Seu pai, Nicholas, fugiu de casa aos dezesseis anos, pois não gostava da vida do campo, nem dos vinhedos e nem da mentalidade de seus parentes. Então, a primeira providência que ele tomou, chegando em Varsóvia, foi traduzir seu nome para o polonês e abrir mão da sua cidadania francesa. Mikolaj (Nicholas) se tornou militar rebelde durante o domínio dos russos. Quando houve o levante para a liberdade da Polônia, ele se juntou aos nacionalistas. Contudo, o movimento foi derrotado. O território polonês foi dividido entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Depois, devido a vitória da Revolução Francesa, em 1789, o idioma francês tornou-se importante para os poloneses, nisso, Mikolaj viu uma oportunidade: ser professor de línguas da alta sociedade de Varsóvia. Por causa dos ambientes que frequentava, aprendeu a ser elegante, fino e com gosto requintado,e conveceu o Conde Skarbek a contratá-lo para orientar na educação de seu filho.
Assim, em 1802, Mikolaj Chopin deixou a capital e se mudou para a vasta propriedade do conde, numa localidade vizinha, Zelazowa Wola.
Casou-se com Tekla Justyna Kryzanowska e tiveram uma filha, Ludwika.
Em 1810, no dia 1 de março se alegraram com a chegada de um novo filho, que deram o nome Frederyck Franciszeck. Chopin teve uma infância muito tranquila em Zelazowa, mas depois, seu pai regressou à capital para lecionar num Liceu. Mais duas meninas aumentaram a família, Isabella e Emilie. Moravam num confortável apartamento, onde o pai pode instalar um pensionato para os alunos do Liceu. A mais alta classe da sociedade frequentava o apartamento para tomar aulas de piano com Tekla Justyna e para aperfeiçoar o francês com Mikolaj, pois a simpatia e o bom gosto do casal atraía a todos.
Tekla Justyna e Mikolaj Chopin
E foi nesse meio que Chopin creceu; recebendo a mesma educação que os jovens da nobreza recebiam.
A sua irmã Ludwika tocava piano e lhe ensinou o que sabia, pois a curiosidade e o interesse do irmão pela música e pelo piano já apareceram desde pequeno. Mas chegou uma hora que o garoto a ultrapassara.
O pai de Chopin, encantado com o talento do filho, arranjou-lhe um professor: Adalbert Zwyny. Este percebeu a genialidade de Chopin e procurou não sufocá-lo.
Casa da famíla Chopin em Zelazowa Wola.
Em 1817, Chopin compôs a Polonaise em Sol Menor, era a primeira composição de Chopin a ser publicada (ele teve que pedir para o seu professor que escrevesse a sua obra, pois não sabia escrever música).
Somente em 1822, Chopin alcançou êxito significativo, pois se apresentou para a mãe do Czar da Rússia. Esta ficou encantada com a fantástica interpretação do Concêrto em Mi menor, de Adalbert Gyrowetz.
Embora valorizasse o talento do filho, Mikolaj matriculou Chopin no Liceu, pois prezava a formação completa do menino, que passou a estudar Latim e Grego, História e Filosofia, e apenas nas horas de descanço se dedicava com afinco ao piano e à música, aprendendo teoria com o diretor do Conservatório de Varsóvia e amigo de Mikolaj: Joseph Elsner.
Quando completou o ano letivo, Chopin foi passar as férias num vilarejo do interior. No campo ele se encantou com a simplicidade dos aldeões, e teve contato com as músicas e danças populares. Impressionado, inspirou-se e compôs a Mazurka em Lá menor - opus.17 nº4 (compôs 57 mazurkas ao longo de sua vida).
Mazurca: dança animada, tradicional da Polônia (sec. XVI). Tornou-se conhecida por toda Europa, junto com a polca (de estrutura similar), durante a segunda metade do século XIX.
Joseph Elsner.
Chopin ingressou para o quarto ano do Liceu, pois tinha sido muito bem preparado pelo pai, e em julho de 1824, ele concluiu o curso com notas excelentes e prêmios em História e Literatura. (Nada melhor do que boas notas para animar, hehe). Contentíssimo, Chopin compôs a Polonaise em Si bemol Menor.
As realizações na escola e a nova peça trouxe um clima de festa e alegria à casa dos Chopin, que foi quebrado com a morte da caçula Emilie, em 1825, de tuberculose. A família toda ficou abalada, inclusive Chopin, que demorou mais de um ano para se recuperar, pois Emilie era a sua companheira mais próxima.
A família havia se instalado na estação termal da Silésia, por causa de Emilie, mas em 1826, Chopin regressou à Varsóvia. Apesar da melancolia, ele já havia decidido o seu futuro: matriculou-se no conservatório a fim de estudar música a sério, sob a orientação de Joseph Elsner.
Apesar da fama de Elsner de ser um professor intransigente, este tratou Chopin com benevolência e compreensão, pois já conhecia o extraordinário talento do rapaz, e por isso, incentivava-o a ser um mau aluno (hehe), que não fizesse os exercícios de rotina, para que ele apenas se dedicasse à composição de música pianística.
Nessa época, Chopin compôs Rondó à la Mazurka e depois Variações sobre um Tema de Mozart ( a ária "La ci darem la mano", da ópera "Don Giovani"). Apesar da influência classicista nessas peças, o estilo "chopiniano" já pode ser distinguido.
Em 1828, um amigo de seu pai, o Professor Jarocki, tinha uma passagem extra para Berlim e convidou Chopin. Foi a sua primeira viagem ao exterior e na capital alemã teve contato com muitos estilos de música, mas foi a "Ode a Santa Cecília", de Handel que mais o impressionou.
"É o que mais se aproxima ao ideal de música elevada que tenho em minha alma".
Frédéric Chopin.
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Curiosidade:
Quando regressavam, a diligência fêz uma parada para trocar os cavalos. Os passageiros já estavam enfastiados com a espera, quando de repente, se maravilharam com melodias tocadas ao piano: Chopin achara um velho piano e ficou tocando e improvisando por horas. Quando terminou, a diligênica já estava pronta e esperando há muito tempo.
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Assista ao vídeo do pianista Vladimir Horowitsz, interpretando a Mazurka em lá menor, opus.17 nº4.
Assista ao vídeo da pianista Valentina Lisitsa, interpretando "Variações sobre um tema de Mozart - La ci darem la mano, op.2".
Bem, não deixe de acompanhar a história deste compositor extraordinário, conhecido pelas suas composições melodiosas, que lhe resultou o epíteto de "O Poeta do Piano".
Ontem foi o aniversário de grande flautista brasileiro e de certo modo nosso chará de sobremone, Meyer, mas apesar disso não somos parentes hehe
Não pudemos postar ontem a matéria, vai aí :
Paulo Augusto Duque Estrada Meyer (15/02/1848 - 24/04/1905) foi um grande flautista e professor do Rio de Janeiro.
Meyer estudou com dois grandes flautistas:
Mathieu André Reichert, flautista belga, introdutor da flauta Boehm de prata no país.
Joaquim Antônio da Silva Calado, flautista brasileiro e compositor do primeiro Choro, Flor Amorosa.
Segundo a flautista Odete Ernest Dias:
“foi do encontro da técnica virtuosística de Reichert com a malícia rítmica de Callado que teria surgido a linhagem brasileira de flauta”.
Em 1881, Meyer já era um flautista conhecido no Rio de Janeiro, tocando com freqüência no Clube Beethoven, fundado em 1882 por Robert Jope Kisman Benjamin. O Clube Beethoven sustentou um quarteto permanente e apresentou 136 concertos de música de câmara, 4 grandes concertos sinfônicos no Cassino Fluminense e ainda 5 vesperais.O clube também se dedicou ao ensino de música e a conferências literárias, e teve como diretor da biblioteca ninquém menos que Machado de Assis.
Apesar da fama que o clube conquistou na época, o próprio Machado justificou nas páginas de "A Semana", de 5 de julho de 1896, que tudo que é bom tem seu fim.
"Mas tudo acaba, e o Clube Beethoven, como outras instituições idênticas, acabou. A decadência e a dissolução puseram termo aos longos dias de delícias".
Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, conhecido como Animal, autor do livro publicado em 1936 "O Choro - reminiscências dos chorões antigos", Meyer era um bom "chorão", que executava com alma, sentimento e graça as músicas de Calado, Viriato, Silveira e Luizinho. Calado compôs em sua homenagem a quadrilha "Família Meyer".
Em 1883 tornou-se professor do Conservatório de Música, onde ensinou a Pattápio Silva.(clique e leia a matéria do blog)
Mais tarde se tornou inspetor de ensino e diretor de concertos.
Em 1888 recebeu de D. Pedro II a comenda da Ordem Rosa, no grau de cavaleiro.
Após a proclamação da República, quando o Conservatório passou a se chamar Instituto Nacional de Música, foi seu primeiro diretor, exercendo novamente o cargo com o falecimento do seguinte diretor Leopoldo Miguez.
Também foi regente titular da Filarmônica do Rio de Janeiro, fundada por Francisco Manuel da Silva, compositor da melodia do Hino Nacional Brasileiro.
O único registro como compositor de Meyer é a partitura da valsa "Receiosa". Infelizmente não existem gravações de Meyer, mas no cd Princípios do Choro você encontra a gravação, ouça abaixo.
Duque Estrada Meyer faleceu em 24 de Abril de 1905.