quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Diário de Bordo Circuito Cultural Paulista 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Lunel - França

Finalmente conseguimos separar as fotos de Lunel, ufa!
Passamos uma semana ótima no festival, fizemos novos amigos e conhecemos bandolinistas de vários países.
Foi uma experiência única, e você pode segui-la pelas fotos.
Beijos,

meninas


Lunel - França

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cacildo Silva

Essa semana recebemos um presente único!!
O Cacildo no enviou uma poesia linda!
Não deixem de conferir.
Ah, e respondendo um pergunta do Cacildo, infelizmente não temos mais araras, só o paredão que elas deixaram.
Bom, aproveitem
Bjs

Lia

Era Araritaguaba hoje é Porto Feliz.
Poucas araras pousam pra comer... Nem pense!
Agora o importante é o portofelicence
e tudo o mais que encanta e a sua história diz.

Margeia o Tietê, lendário rio motriz,
somando economia ao povo ao qual pertence.
Mas isso é introdução ao que o meu verso quis
e quer dizer aqui, do amor que me convence.

Meu verso quer falar apenas do que encanta!
Só quer falar do eterno ao menos desta vez.
Este soneto parte com uma mensagem santa.

Vai para as três meninas e ao pai Eduardo.
Instrumentistas lindas do Choro das três,
Lia, Corina, Elisa com beijos do bardo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Billy Blanco

Hoje tive uma grande surpresa, que infelizmente não foi das melhores. Almoçando com as meninas no "+1", uma lanchonete daqui de Porto Feliz, vi no Jornal Hoje a notícia de que o Billy Blanco faleceu pela manhã.
Então resolvi escrever um pequeno post sobre esse grande compositor.


Billy Blanco (Willliam Blanco Abrunhosa Trindade) nasceu em Belém do Pará, no dia 8 de maio de 1924, e além de compositor, foi músico, escritor e arquiteto.
Billy interessou-se muito cedo pela música, e inicialmente fazia paródias, ou seja, fazia uma letra para uma música já conhecida.
Em 1940 veio para São Paulo cursar Arquitetura, mas tranferiu-se para o Rio de Janeiro no 4º ano, onde conheceu o amigo e arquiteto Sérgio Bernardes, pra quem trabalhou como desenhista até 1950, quando se formou.
A vida no Rio o permitiu gravar as suas primeiras músicas e frequentar o meio musical, onde conheceu Dolores Duran que o apresentou aos vários artistas da década de 50, e  dois famosos compositores, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, ambos oficiais do exécito que o ajudaram muito  no mercado musical.
Uma curiosidade íncrivel, é que durante o 4º ano de arquitetura, Billy descobriu que deveria estar estudando com mais um compositor, Antonio Carlos Jobim. Isso mesmo, você leu corretamente hehe Tom Jobim desistiu do curso, ainda no 1º ano, e não chegaram a estudar juntos, mas Billy perguntando onde o encontraria foi conhecê-lo no bar "Posto Cinco" na Av. Atlântica. Os dois se tornaram grandes amigos e parceiros em várias canções.
Na década de 50 e 60, vários artistas gravaram suas composições, como Mocinho Bonito, Viva Meu Samba e Estatutos da Gafieira.
Billy Blanco já foi comparado com Noel Rosa e é considerado um dos precursores da Bossa Nova.
Uma das suas principais obras é a Sinfonia Paulistana ou somente Paulistana, na qual trabalhou por 10 anos e a concluiu em 1974.
As músicas se chamam "Louvação de Anchieta", "Bartira", "Monções", "Tema de São Paulo", "Capital do Tempo", "O Dinheiro", "Coisas da Noite", "O Céu de São Paulo", "Amanhecendo", "O Tempo e a Hora", "Viva o Camelô", "Pro Esporte", "São Paulo Jovem", "Rua Augusta" e "Grande São Paulo".  O jornal O Estado de São Paulo (Estadão) definiu o refrão de "Tema de São Paulo" como o "que mais define o paulistano".
Ainda em plena atividade em 2010, Billy sofreu um AVC, derrame, aos 86 anos e foi internado, permanecendo no hospital até hoje. Billy Blanco faleceu com 87 anos.

Segue abaixo um video em que o Billy Blanco conta um pouquinho sobre a Sinfonia Paulistana.

Ouça no video abaixo Amanhacendo



Espero que vocês tenham gostado.
Beijos,

Lia

Bibliografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Billy_Blanco
http://www.musicabrasileira.net/billyblanco/paginas/vida.htm

sábado, 23 de abril de 2011

DIA DO CHORO - PIXINGUINHA!

Olá pessoal!
Tudo bem?
Ficamos algum tempo sem escrever, poís tivemos alguma complicações.
E uma delas é a gravação do cd hehe, mas o lado bom é que essas complicações, são na verdade coisas muito boas.
Bom, como todo chorão sabe, dia 23 de Abril é o Dia Nacional do Choro. E, para comemorar este dia, segue abaixo uma matéria sobre Pixinguinha, que teve a data de seu nascimento escolhida para representar a primeira música brasileira, o Choro.


DIA NACIONAL DO CHORO
PIXINGUINHA

Auto retrato - Pixinguinha

Eu também nasci chorando
Como todo mundo nasce
E embora a chorar vivesse
Não chorei o que bastasse
No choro a vida passei
Com prazer e na labuta

Sustentei mulher e filho
Chorando fiz-me um batuta
Chorei muito choro alheio
Toquei maxixe e marchinha

Alfredo sou por batismo
Mas no choro Pixinguinha
Fiz música, fui maestro
Fui Ingênuo, Carinhoso
Soprei meu triste Lamento
E o meu riso mais gostoso
E assim o ciclo se fecha
Pois cumpri o meu papel
Plantei o choro na terra
Pra colher risos no céu

Foi assim que um dos maiores nomes da Música Brasileira se autodescreveu.
Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, nasceu no dia 23 de abril de 1897 no Rio de Janeiro. Grande Mestre do Choro, da Música Brasileira e compositor da música mais querida pelos brasileiros, o Carinhoso.
Antes de falar mais sobre o Pixinguinha, vou fazer um pequeno resumo sobre o Choro.
O Choro é a primeira música urbana do Brasil. Surgiu no final do séc. XIX e tem como marco a composição de Flor Amorosa (ouça aqui) de Joaquim Callado como o primeiro Choro. Até hoje é executada, assim como as composições da primeira maestrina brasileira, Chiquinha Gonzaga, que era contemporânea de Joaquim Callado.
Neste post, Documentário Choro, a Elisa publicou o video abaixo por indicação do Sr. Roberto, que conta a história do Choro.







Bom, voltando ao Pixinguinha agora.

Filho do flautista Alfredo da Rocha Viana, possuidor de uma grande arquivo de Choro, e que sempre realizava saraus em sua casa, proporcionou que Pixinguinha e os irmãos crescessem num meio musical muito rico.
O nome Pixinguinha, surgiu da união de dois apelidos. Sua avó o chamava de Pizindim, que significa "bom menino" num dialeto africano, e ainda criança contraíu varíola, por isso passaram a chamá-lo de Bexiguinha. Então Pizindim + Bexiguinha = Pixinguinha. hehe
Em 1911, sua família mudou- se para um casarão, logo conhecido como Pensão Viana, pela hospitalidade em que recebiam os amigos.
Pixinguinha já tocava cavaquinho e tinha noções básicas de música, assim como os seus irmãos, Leo e Henrique. Neste ano começou a ter aulas de flauta com o pai, e se tornou pupilo de Irineu de Almeida, amigo da família, oficlidista e diretor de harmonia do rancho Filhas da Jardineira.
E, neste mesmo ano, Pixinguinha gravou uma série de discos na Favorite Records, para a Casa Faulhaber, como integrante do grupo Choro Carioca e também passou a tocar em bailes e quermesses.
Ainda neste ano, compôs o seu primeiro choro, Lata de leite.
Em 1912 conseguiu o seu primeiro emprego de músico profissional (ainda de calças curtas!), graças ao seu irmão China, violonista e cantor.
Pixinguinha ficou conhecido na Lapa e foi convidado pelo violonista Tute para substituir o flautista Passos da Orquestra do Cine - Teatro Rio Branco. Apesar de ter tido dificuldades por causa da sua idade, 16 anos, Pixinguinha estreiou em 1913 na peça Chegou o Neves, tocando na orquestra e solando um Choro. Ele passou a ser chamado para tocar em teatrs, circos e orquestras de cinema.
Desde 1914, Pixinguinha saía no Carnaval como integrante do grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco. A partir deste grupo, foi formado mais tarde Os Oito Batutas.
Em 1917 Pixinguinha gravou algumas composições, Morro da Favela, Morro do Pinto, Sofres porque queres e Rosa, que foi gravada pelo Orlando Silva em 1937 (Ouça aqui!).
Em abril de 1919 Isaac Frankel convidou Pixinguinha  a formar um grupo musical para tocar na sala de espera do Cinema Paris, que ele gerenciava. Por causa do surto da Gripe Espanhola no ano anterior (1918), o cinema estava com baixa frequência e necessitava atrair o público. Nasceu assim, Os Oito Batutas.
O grupo era formado por Pixinguinha na flauta, Donga no violão, China no vocal, violão e piano, Nelson Alves no cavaquinho, Luís de Oliveira na bandola e no reco-reco, Raul Palmieri no violão, Jacó Palmieri no pandeiro e José Alves no bandolim e no ganzá.
O grupo foi um sucesso, chegando a se apresentar em 1920 para os Reis da Bélgica. Também tocaram na França, Paris, durante seis meses.
Um fato curioso, e até um pouco engraçado, é que o conjunto recebeu o convite de ficar na França, mais que foi recusado porque lá não existia a cachaça!hehe
Em 1922 Os Oito Batutas foram para a Argentina, onde gravaram na Victor Argentina.
Por causa das viagens ao exterior o grupo foi sofrendo modificações nos instrumentos e no repertório,  Pixinguinha por exemplo, passou a tocar osasionalmente um saxofone que trouxe de Paris.
Em 1927 Pixinguinha casou-se com a Albertina da Rocha, estrela da Companhia Negra de Revista, que usava o pseudônimo de Jandira Aimoré, que conheceu no ano anterior ao reger a orquestra do Cine Rialto, onde Jandira se apresentava.
Em 1928 formou com Donga a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga para gravações na Parlophon, que acompanhou cantores Patrício Teixeira e Benício Barbosa em diversos discos. Ainda neste ano a orquestra gravou Carinhoso, que foi extremamente criticado, sendo hoje considerada a sua composição de maior sucesso.
Em 1929 se instalou no Brasil a Victor Talking Machine of Brasil, onde Pixinguinha foi contratado como músico e arranjador exclusivo. Lançou pela Victor vários discos de Carnaval e composições suas, entre elas Urubatã com a Orquestra Victor Brasileira  (Ouça aqui a gravação!) e como solista O urubu e o gavião, se destacando como solista na flauta (ouça aqui a gravação!).
Em 1930 compôs em parceria com Cândido das Neves (o Índio) Foi Muamba e Página de Dor, que foi gravada em 1938 pelo Orlando Silva. (Ouça aqui a gravação!)
Em 1931 formou o grupo Grupo da Velha Guarda, em que os integrantes são grandes nomes da música brasileira, Bonfiglio de Oliveira (trombone), Chico, Jonas Aragão, João Braga e Luís Americano (sax e clarineta), Donga (violão e banjo), Nelson Alves (cavaco), e Vidraça (Chocalho). Gravaram dezenas de discos pela Victor e acompanharam Carmem Miranda, Mário Reis e Silvio Caldas.
No final de 1932 Pixinguinha formou a Orquestra Diabos do Céu, que era uma extensão do Grupo da Velha Guarda. Segue uma gravação deles acompanhando a Carmem Mirando no samba ETC de Assis Valente.
Ouça aqui!
Em 1937 Orlando Silva gravou a primeira versão do Carinhoso com a letra do João de Barro. Segue o video do Orlando Silva contando sobre isso e sobre a valsa Rosa, que era o outro lado do disco.







Ainda neste ano formou o grupo Os 5 Companheiros com Tute e Valeriano no violão, Luperce Miranda no cavaco, João da Baiana no pandeiro e ele na flauta. Pixinguinha compôs mais tarde um choro com o nome do grupo, que você pode ver no video abaixo com o Choro das 3 e com o Conjunto Paulistano numa roda de choro em São Paulo!


 Em 1940, Villa Lobos apresentou Pixinguinha para o maestro Leopoldo Stokowski (1882 - 1977), que visitava o Brasil com o intuito de gravar a nossa música popular, a bordo do navio S.S.Uruguai. Pixinguinha e vários outros artistas, como Cartola, Donga, Zé da Zilda, Luís Americano, João da Baiana, e Jararaca, tiveram as gravações incluídas em dois álbuns da Columbia, Native Brazilian Music, lançados nos Estados Unidos.

Ainda na década de 40, troca definitivamente a flauta pelo sax-tenor,  pois firmou a famosa parceria com Benedito Lacerda. Algumas de suas gravações, e composições, mais famosas são desta época, como 1x0, Ainda me recordo, Sofre porque queres, entre outras.
Em 1964 sua esposa precisou ser internada, e tamanho foi o seu choque que enfartou. e acabou socorrido no mesmo hospital. Com medo que sua mulher piorasse, combinou com o filho, Alfredinho, para não contar -lhe nada. E, todos os dias, no horário de visita, Pixinguinha deixava o leito, vestia o terno e o chapéu, e, acompanhado do filho, ia ver a esposa levando-lhe um buquê de flores. Depois, voltava para o próprio quarto.
No dia 17 de fevereiro de 1973,  foi à Igreja Nossa Senhora da Paz, onde iria batizar o filho de um amigo. Infelizmente, Pixinguiha teve o seu segundo enfarte, fatal.
Neste dia, mais de 10 mil pessoas seguiam na Rua Prudente de Morais, rua da Igreja, cantando e dançando ao som da Banda Ipanema, mesmo com uma forte chuva. Mas assim que a triste notícia se espalhou, os músicos recolheram os instrumentos e risos foram substituídos pelas lágrimas. Os soldados de uma Rádio Patrulha tinham ordens para impedir que a Igreja fosse invadida, e, enquanto o Padre Waldenack rezava junto ao corpo, o cabo, que comandava a patrulha, consolava aos foliões na porta da Igreja:

"Pixinguinha morreu num dos lugares mais bonitos da face da terra. Morreu como Cristo. Sabem por quê? Porque, como Jesus, quando ele fechou os olhos, a chuva começou a cair."
Pixinguinha, Vida e Obra - Sergio Cabral

Bom, espero que você tenha gostado do pouquinho da história que contei aqui, deste grande músico e ser humano.
Feliz Dia Nacional do Choro!

Lia

Bibliografia: Enciclopédia da Música Brasileira Popular, Erudita e Folclórica - Pixinguinha Vida e Obra - http://www.pixinguinha.com.br/sitio/index.php - http://pt.wikipedia.org/wiki/Pixinguinha - http://daniellathompson.com/Texts/Stokowski/Cacando_Stokowski.htm


sábado, 12 de março de 2011

Choro das 3 - Diário de Bordo Espirito Santo do Pinhal

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Choro das 3 - Especial Brodowski - Museu Portinari

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Manhã Nostálgica

Ontem nos sentimos como Ernesto Nazareth, sabe por quê?
Tocamos em uma sala de cinema, em Indaiatuba!
Isso mesmo, hehe, fizemos um show antes da exibição do filme clássico, "A um passo da enternidade".
Tocamos no cimena Topázio Indaiatuba, que a cada dois meses, em um sábado, exibe um clássico do cimena com café da manhã, e que eventualmente traz um grupo musical.
Tocamos na 52ª Semana da Manhã Nostálgica, e tivemos uma surpresa muito bacana.
O pessoal do Sr. Moacir compareceu em massa ao show, e alguns até levaram os instrumentos.
Não podíamos perder a oportunidade e os chamamos pra dar uma canja com a gente ao final do show.
Com a participação do André e do Fábio no bandolim, do Valter na flauta e do Sérgio no cavaco, tocamos Zinha, do Pattápio Silva, Naquele Tempo, do Pixinguinha e Benedito Lacerda, Noites Cariocas, do Jacob do Bandolim, Brasileirinho, do Waldir Azevedo e Carinhoso, do Pixinguinha e João de Barro, que também teve a participação da platéia cantando!
Depois do show, acompanhadas pelo Sr. Paulo e pelos meninos, tomamos um café da manhã delicioso! Com pão de queijo, broa de milho, carolina, etc, só de lembrar já dá água na boca!
Durante o café, tivemos ainda um palhinha do Sérgio tocando Cello e da Elisa tocando algumas composições no bandolim. Café bom esse, né? Quitutes deliciosos com uma boa música de acompanhamento hehe
Depois do Café, o Sr. Paulo nos levou aos bastidores do cinema! É isso mesmo que você está pensando, fizemos uma visita pelas salas de projeção com um craque no assunto, afinal o Sr. Paulo está no meio cinematográfio há praticamente 50 anos.
Ficamos tão empolgadas, que infelizmente esquecemos de fotografar, mas sempre vamos lembrar dos rolos de filme dos enormes projetores.
Para encerrar o dia, almoçamos uma comidinha mineira jóia, com o Sr. Paulo e com a Sra. Enriqueta.
Com toda certeza, viramos fãs das Manhãs Nostálgicas de Indaiatuba!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dia Estadual do Choro!

Comemoramos pelo segundo ano, o Dia Estadual do Choro!
Ano passado a Lei 13.447/09, de iniciativa do deputado Paulo Alexandre Barbosa, foi oficializada a homenagem ao Choro, sendo comemorado no dia 28 de junho, aniversário de um dos maiores músicos brasileiros, o Garoto.
Nome artístico, do paulista Aníbal Augusto Sardinha, que se estivesse vivo, completaria 95 anos.

“Assim como Pixinguinha está para a Música Popular Brasileira, Garoto está para São Paulo, por ser seu maior expoente do choro, merecendo, portanto, que o dia 28 de junho, passe a ser lembrado como o “Dia Estadual do Choro”, comemorado anualmente aqui no Estado de São Paulo”
Deputado Paulo Alexandre


Garoto nasceu em São Paulo no dia 28 de junho de 1915, é filho de portugueses, Antônio e Adosina, sendo que o pai tocava guitarra portuguesa e violão e o irmão tocava banjo e outros instrumentos.
Começou a tocar sozinho, de ouvido, e com 11 anos ganhou o primeiro instrumento, um banjo, do irmão, e passou a tocar no Regional dos Irmãos Armani e a ser chamado de Moleque do Banjo.
Em 1930, com o violonista Serelepe, apresentou-se para o Diretor Artistico da Parlophon, Maestro Mignome, sendo os dois convidados para gravar. Lançaram então, Bichinho de Queijo e Driblando, ambas composições de Garoto.
Na porta da gravadora, trava relações com Zezinho, conhecido mais tarde como Aimoré.


"Em 1929, no Palácio das Industrias, tive minha primeira oportunidade, tocando com Canhoto, Zezinho e Mota, para um programa da General Motors.
Éramos um grupo grande. Tempos depois, formamos uma Orquestra, com uniforme, gravatinha preta e calça de flanela, e depois comecei a tocar sozinho, e com o falecido Pinheirinho Barreto e Aluisio Silva formamos um novo grupo. Foi quando gravamos "Zombando da Morte", um Samba que se tornou muito popular."

Garoto - Correio Paulitano - Dezembro de 1949
Em 1931, substituindo o Zé Carioca, no Conjunto Regional, atua profissionalmente na Rádio Educadora Paulista (Gazeta).
Em 1934, a convite de Jaime Redondo, se torna integrante do Conjunto Chorões Sertanejos, no qual substituiu anteriormente Derbagno, viajando pelo interior paulista.
Por sugestão de Jaime, troca o nome artistico de Moleque para Garoto do Banjo. 
Tocou em Curitiba, Porto Alegre, Buenos Aires, onde acompanhou Carlos Gardel e em Santos, onde acompanhou Silvio Caldas com Aimoré.
Em 1936, gravou com Aimoré pela Columbia dois 78 rpm, com composições próprias.
No mesmo ano, foi para o Rio de Janeiro com Aimoré, a convite de Silvio Caldas,chegando a estreiar na Rádio Mayrink Veiga.
Mas, por problemas de saúde, retornou a São Paulo, onde foi convidado em 1937 para integrar o conjunto Regional da Rádio Cruzeiro do Sul.
Dois anos depois, casou-se, desfez a dupla com Aimoré e retornou ao Rio de Janeiro.
Começou a trabalhar na Radio Mayrink Veiga, que tinha um elenco de grandes estrelas, como Carmen Miranda e Laurindo de Almeida.
Com Laurindo, formaram o duo de ritmo sincopado, e o grupo Cordas Quentes.
O duo participou de várias sessões de gravação, para Henricão, Carmen Costa, Jararaca e Zé Formiga, Alvarenga e Ranchinho, Dorival Caymmi, Ary Barroso e Carmen Miranda, para citar alguns.
Com a saída do violonista Ivo Astolfi do Bando da Lua, Garoto entra para o "bando" e permanece por dois anos.
Ainda em 1939, recebe uma proposta de Carmem Miranda para ir aos Estado Unidos.

Querido Garoto:
Espero que você tenha gostado da idéia de vir para cá, e aceite-a pois esta terra é a melhor do mundo, só você estando aqui é que acreditará
Estamos ansiosos para que você; venha, eu e os rapazes.
Abraços da Carmen.

 Aceitou o convite, e em 18 de outubro de 1939 embarcou no navio Uruguay para os Estados Unidos, para uma estadia que entre outras coisas rendeu-lhe o título de "O homem dos dedos de ouro", dado pelo organista Jesse Crawford.
Garoto era uma atração extra nos shows de Carmem, sua habilidade única atraíam uma platéia diferente, Duke Ellington e Art Tatum eram, entre outros, assíduos na platéia.


Após oito meses trabalhando para Carmen, em diversas cidades americanas, Broadway, filmes e até tocando para o Presidente Roosevelt na Casa Branca, Garoto voltou ao Rio de Janeiro.
Logo após o seu retorno, formou o conjunto Garoto e seus Garotos. Mais tarde, quando o conjunto se rompeu, fez uma série de gravações para Rádio Nacional e atuando na Orquestra da Rádio Nacional, regida por Radamés Gnattali.
De 1942 a 1946, gravou seis 78 rpm com Carolina Cardoso, sobre o título de Garoto e Carolina.
Em 1951 formou uma dupla com José Menezes, participando do programa Nada Além de Dois Minutos, trocando de instrumento sem perder a sequência das músicas, alternando entre violão, violão - tenor, guitarra e cavaquinho.
Ainda com José Menezes participou de vários programas e gravou vários discos.
Em 1952, formou o Trio Surdina, que lançou mais tarde um LP, com a gravação de uma das suas músicas de maior sucesso Duas Contas.
No mesmo ano, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, executou o concerto n° 2 para violão e orquestra, de Radamés Gnattali, dedicado a ele.
Em 1953 compôs, com Chiquinho do Acordeon, São Paulo Quatrocentão (com letra de Avaré), para o IV Centenário de São Paulo, que vendeu 700 mil discos! Isso mesmo, 700 mil.
No mesmo ano, gravou seu primeiro disco como violonista, pela Odeon, gravou Abismo de Rosas (ouça aqui) e Tristezas de um violão, de sua autoria.
Durante a sua carreira, teve aulas com Atílio Bernardini, João Sepe e com Radamés Gnattali.
Além de São Paulo Quatrocentão, Garoto compôs várias músicas de sucesso, como Duas Contas, Gente Humilde, Lamentos do Morro, Desvairada (ouça aqui), Quando Dói Uma Saudade (ouça aqui), etc.
Infelizmente, Garoto faleceu muito cedo, com apenas 39, em 1915, quando planejava uma excursão à Europa.


Lia

terça-feira, 25 de maio de 2010

SHOW INDAIATUBA!



Depois de uma semana de chuva e frio, tocamos no domingo (23) em Indaiatuba com o maior sol! hehe
Participamos da Virada Cultural 2010, abrindo o dia do encerramento do evento em Indaiatuba.
Bom, vamos começar do começo hehe rebobinando a fita...
Fomos quarta-feira pra Indaiatuba para fazer 3 entrevistas sobre o show de domingo.
Primeiro fomos na Rádio Jornal, onde nós fomos entrevistadas pela simpaticíssima Rosa, e voltamos na sexta-feira!
Depois fomos para a Revista Destaque, onde e batemos um papinho, enquanto tirávamos algumas fotos, com o Carlos e a Ivani.
E pra terminar o dia fomos pro Jornal Tribuna, onde tivemos uma conversa de alta qualidade musical, com o Kimura.
Com previsão de uma semana fria, ficamos muito surpresas ao chegar em Indaiatuba e encontrar o maior calor.
Chegamos por volta do meio dia, pra passagem de som, afinal o nosso show era as 14h, e pegamos o finalzinho da passagem de som da banda da Bebel Gilberto.
Um abraço pro Pirata (técnico) e a sua equipe, o som ficou muito bom!
Como nós tocamos no Parque Ecológico, preparamos um repertório especial. Tocamos alguns choros relacionados a natureza, como o Atlântico, Jurity, O Gato e o Canário, Harmonia Selvagem, muito mais.
São Pedro ficou tão animado com o nosso show, que fez uma "iluminação especial" hehe um sol de rachar o coco! Nós todos tocamos de óculos escuro pra poder ficar com os olhos abertos hehe
O público conseguiu se acomodar embaixo de algumas árvores e palmeiras, pra poder aproveitar a sombra, mas mesmo assim, tivemos alguns bravos bem na frente do palco pegando um brozeado hehe, como o André, o Fábio e o Sr. Moacir, que é Mestre do Choro na cidade, e que estava com todo o pessoal do choro lá.
Nós ainda tivemos a presença do Maestro Júlio com a família e a Zezé com o Jean.
Foi ótimo tocar em Indaiatuba e esperamos repetir a dose em breve (só não fazemos questão da "iluminação natural" hehe)
Beijos,

Lia

domingo, 16 de maio de 2010

JORNAL IPANEMA



Foi com muita alegria que vimos a matéria que o pessoal do Jornal Ipanema escreveu sobre a gente!
Logo depois da nossa participação no programa de rádio Jornal da Manhã, que fica no mesmo prédio que o jornal. O post abaixo é sobre a nossa participaçao no rádio, foi lá que conhecemos o pessoal do Jornal Ipanema, como o Urbano Martins, que é editor do jornal e da rádio hehe
Bom, pra ler a matéria é só clicar no link Leia aqui!
Um beijão especial pro Jornal Ipanema!!


sexta-feira, 30 de abril de 2010

CHORO DAS 3 - JORNAL DA MANHÃ NA JOVEM PAN SOROCABA!

Ontem acordamos bem cedinho e pusemos o pé na estrada hehe
Chegamos na Jovem Pan de Sorocaba e já fomos direto pro estúdio, onde fomos recebidas pelo simpatissíssimo Urbano Martins!
Ele é o editor da Jovem Pan e do Jornal Ipanema, ambos no mesmo prédio.
Bom, ele nos levou ao estúdio em que o Zé Roberto já estava apresentando o Jornal da Manhã desde as 7h!
Curiosamente o Zé Roberto é nosso conterrâneo hehe ele é de Porto Feliz também. É surpreendente como sempre encontramos com portofelicenses aonde quer que a gente vá, e sempre bem sucedidos, o que acaba nos incentivando.
Entramos no ar tocamos e batemos um papinho bem gostoso, que ainda teve a participação especial da nossa querida amiga e assessora de imprensa, a Carla!

Fizemos uma pausa para a entrevista do Prefeito Vitor Lippi de Sorocaba, que ao final da entrevista pediu uma música do Jacob do Bandolim.
E a Elisa, que é bem do-contra, tocou uma no clarinete, hehe, o Benzinho.
Depois do programa, ainda conversamos um pouquinho e fomos tomar um café delicioso da Padaria Real humm
Encerramos com um "café de ouro"!
Quem quiser acompanhar o Jornal da Manhã é só visitar o site http://www.jovempansorocaba.com.br/
O programa começa as 7 e vai até as 9h
Abaixo você pode assistir um video do programa, tem um pouquinho da conversa e a gente tocando Bolinha de Gude!
Um beijo especial pro pessoal da Jovem Pan e do Jornal Ipanema que nos receberam essa manhã!

Lia

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia do Choro no Pontapé Inicial!

Sexta - feira passada, dia 23 de Abril, foi comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional do Choro!
Esta data foi escolhida em homenagem ao nascimento do Mestre Pixinguinha (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1973).
E pra comemorar esta data especial, o pessoal do Pontapé Inicial nos convidou pra fazer um programa com eles.
Foi muito bom poder rever todo o pessoal do programa e receber mensagens de todo o Brasil.
Durante o programa conversamos sobre música, o nosso próximo cd, o roubo das figurinhas hehe, etc
O programa é ótimo!
Apesar de ser um programa esportivo, o Trajano e o Dudu sempre falam de música e arte. Uma coisa muito bacana é que eles sempre falam dos artitstas que fazem aniversário no dia, sempre mostrando alguma imagem, gravação do mesmo.
Por exemplo, no dia 23 eles mostraram dois videos do Pixinguinha, um dele tocando com o Baden Powell e outro com o Benedito Lacerda.
O Pontapé Inicial é transmitido todas as manhãs (10h) pela ESPN Brasil, e é um programa que vale a pena dar uma espiada.
Bom, você pode ver algumas fotos clicando na imagem abaixo:

ESPN - Pontape inicial
Beijos,

Lia

quinta-feira, 25 de março de 2010

Este blog foi movido


Este blog agora está no URL http://blog.chorodas3.com.br/.
Você será redirecionado automaticamente em 30 segundos ou pode clicar aqui.

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domingo, 21 de março de 2010

Parabéns Nazareth!

Oi

*No dia 20 de Março de 2010,
o grande Ernesto Nazareth completaria 147 anos de idade*

Leia os posts já feitos sobre o Ernesto Nazareth.


http://www.chorodas3.com.br/2009/01/chopin-brasileiro-ii.html

http://www.chorodas3.com.br/2009/03/mais-uma-para-o-ernesto.html

http://www.chorodas3.com.br/2009/09/nazareth-e-paulicea.html
Nazareth aos 70 anos de idade.

Então, vamos aproveitar para ouvir algumas músicas:

Fon-Fon! - tango
"dedicada ao distincto amigo Mário Baptista Martins Barata".
piano: Arthur Moreira Lima




Quebradinha - polca
"própria para serenatas".
dedicada a seu filho Ernestinho.

Piano: Arthur Moreira Lima
Bandolim: Joel Nascimento
Trombone: Zé da Velha
Regional: Época de Ouro



Tenebroso -  tango

"Ao  bom e velho amigo Sátyro Bilhar".
Jacob do Bandolim
Regional: Época de Ouro



Matuto -  tango
"dedicado ao amigo sincero Arnaldo Costa".
intépretes: Pixinguinha e Benedito Lacerda



Apanhei-te, cavaquinho!.. - polca
"Dedicada ao distincto e particular amigo Juracy Nazareth de Araújo". 
piano: Ernesto Nazareth

clique aqui para ouvir.
         "Dedicado ao primo e amigo João Cândido de Castro Leal".
Bandolim: Garoto


Brejeiro - tango


"Ao sobrinho Gilberto Nazareth".
obs: Primeiro "tango" publicado de Nazareth.

Regional: Choro das 3, hehehe






Ernesto Nazareth, em 1903

Espero que você tenha gostado de ouvir algumas músicas e de relembrar deste compositor espetacular, que influenciou a música brasileira positivamente, e principalmente o choro, que herdou o seu estilo "melodioso". 
Por essa e por muitas outras,  Ernesto Nazareth, me faz sentir orgulho de ser brasileira.

Bjo
Elisa

sexta-feira, 19 de março de 2010

Evandro do Bandolim

*Hoje é aniversário do bandolinista e compositor Evandro do Bandolim*


Evandro do Bandolim
Josevandro Pires de Carvalho ou Evandro do Bandolim ( João Pessoa, PB 19/03/1932 - São Paulo, SP 30/10/1994), com apenas dois anos de idade, se mudou com a família para o Rio de Janeiro.

Como seu pai tocava violão, desde muito cedo Evandro se interessou pela música.
Aos treze anos, começou a tocar bandolim, tendo aulas com o exímio bandolinista Luperce Miranda ( é pra quem pode! hehe).
Luperce Miranda

 E nessa época, já frequentava as rodas de choro, e também passou a participar de programas de rádio
(ex: Rádio Mayrink Veiga e Rádio Tupi).

Cinco anos após gravar o seu primeiro LP, pela gravadora Chantecler, aos vinte e nove anos, Evandro se mudou para São Paulo, onde a sua carreira deu um grande salto, tocando em boates e emissoras de televisão.

Infelizmente, eu não consegui achar muitas informações sobre o Evandro, no entanto, ele é um instrumentista conceituado no meio do choro, tendo gravado muitos cds no Japão, onde ele também é muito querido.
Em sua homenagem, a sala de choro no fundo da loja Contemporânea, leva o nome de "Sala Evandro do Bandolim".

 - Ouça "Ainda me recordo" - Pixinguinha e Benedito Lacerda, por Evandro do Bandolim e seu regional e Manezinho da flauta.


- Ouça "Cochichando" - Pixinguinha e Benedito Lacerda, por Evandro do Bandolim e seu regional e Manezinho da flauta.


 - Ouça "Um a Zero" - Pixiguinha e Benedito Lacerda - por Evandro e seu regional e Manezinho da flauta.

Gostou? Então, procure ouvir o cd "Choro dos mestres", do Evandro e seu regional interpretando músicas do Pixinguinha e Benedito Lacerda.
Um abração
Elisa

domingo, 14 de março de 2010

Benedito Lacerda


Olá, amigo do blog.

Hoje, dia 14 de março de 2010, Benedito Lacerda estaria fazendo 107 anos.
Infelizmente ele não está entre nós desde 1958, mas através dos registros fonográficos sua flauta maravilhosa e sua obra continuam nos encantando.

O engraçado é que eu descobri o "Benedito" há uns 9 anos atrás, quando o violonista Ed Gagliardi gravou umas fitas para mim com algumas interpretações do flautista, e desde então eu junto e ouço TUDO o que leve o nome dele, e vivo me surpreendendo.

Sempre converso com diversos músicos sobre a importância do Benedito Lacerda para a música popular brasileira e cada vez mais fico impressionada com o que ele fez.

Esta sexta-feira fui almoçar com o amigo Barão do Pandeiro (pandeirista que herdou a linguagem do mestre João da Bahiana, e que cresceu na cidade do Rio de Janeiro. O Barão conheceu e conviveu com grande parte dos maiores músicos que o país já teve e é incrível ouvir suas histórias), e estávamos conversando sobre ele.
" ... tem uma coisa sobre o Benedito, Corina, que pouca gente se liga. Ele foi o primeiro flautista de "samba" do Brasil. Porque veja bem, ele saiu da cidade dele (Macaé), onde ele tocava em bandas e tudo mais e depois foi pro Rio e caiu lá no morro do Estácio. Ele absorveu toda a música daquele lugar. O primeiro conjunto dele, o Gente do Morro, tinha na percussão o pessoal que fundou a primeira Escola de Samba..."
E realmente é impressionante o balanço, o timbre da flauta, a divisão... era completamente diferente dos outros flautistas da época. Podemos compará-lo com Dante Santoro, por exemplo. Dante era um excelente flautista, dono de uma técnica de primeira. Mas ele era músico erudito. Ele não tinha a malícia e o balanço do Benedito.
Proponho uma comparação entre 3 grandes flautistas brasileiros: Pxinguinha, Benedito Lacerda e Dante Santoro.
O objetivo não é dizer quem é melhor ou pior, até por que os três foram geniais, mas apenas mostrar a diferença de linguagem e interpretação entre eles.
Felizmente tenho a mesma música, "Urubú Malandro", gravada por todos.

Então vamos ouvir o "Urubú" na versão do Pixinguinha e os 8 Batutas. Esta é a gravação mais antiga das três. Eu ADORO essa gravação. Os improvisos são simplesmente geniais.






Agora vamos ouvir o "Urubú Malandro" que foi gravado ao vivo pelo Benedito Lacerda na flauta e o Pixinguinha no sax, com direito a uma locução do Almirante para o programa "O Pessoal da Velha Guarda". O programa é de 1947.





(caso você queira ler o que aconteceu neste programa veja a transcrição que o pianista Alexandre Dias fez aqui. Se você quiser adquirir os programas na integra acesse o site da Collectors, que tem os acetatos originais).
Esta é a do Dante Santoro, provavelmente de 1950.






Viu? Todas as gravações são muito boas, mas é possível perceber nitidamente a diferença de fraseado.
No DVD "A Fala da Flauta" do mestre Altamiro Carrilho, ele conta um pouco sobre a sua relação e admiração pelo Benedito. Ele também fala sobre, Pixinguinha, Patapio Silva e Dante Santoro.

“Deles todos o que eu mais admirava era Benedito Lacerda, sem menosprezar ninguém. Ele foi um criador de um estilo novo, uma maneira nova de tocar, tinha um swing leve, alegre, sutil, com balanço rítmico impressionante, isso fazia a diferença”. (Altamiro Carrilho) - www.musicosdobrasil.com.br/benedito-lacerda

O Barão do Pandeiro e o Ed Gagliardi tiveram a sorte de poder conviver um pouco com o pessoal da antiga e ambos me contaram que " o Dino dizia sempre que o Benedito fazia uma introdução perto do microfone no estudio e depois se afastava uns 3 mestros quando o cantor começava a cantar. Aí ninguém segurava o homem. Ele saia pela sala de gravação dançando e fazendo contra-cantos..."
No filme "Alô, Alô Carnaval" é possível ver como ele dançava enquanto fazia os contracantos.
Achar este filme foi um grande presente pra mim. Estou procurando há 9 anos já... =)
Aniversário do Benedito, presente pra Corina! hehehehhe.
(O Benedito entra nos 5:35min do filme)



É... que coisa linda é a obra deste homem... Mesmo após 9 anos, continuo me emocionando toda vez que o ouço.
O Benedito se foi, infelizmente, mas ele vive e viverá para sempre através de suas gravações e no sopro dos flautistas que buscam esta brasileiríssima linguagem de flauta.
Espero que tenham gostado do Benedito, meu grande mestre!

Beijos,
Corina

sábado, 6 de março de 2010

Chopin: o poeta do piano - II

Frédéric Chopin, por Eugène Delacroix
Oi!
Vamos continuar com a história do grande compositor Frédéric Chopin.
*Relembrando que, essa semana foi comemorado o seu bicentenário.*
manuscrito original de Frédéric Chopin, da "Tarantella, op.43, 1841.

Quando Chopin regressou à Varsóvia, já nos meses seguintes continuou às aulas no conservatório, e se empenhou bastante em compor. Escreveu várias composições, Fantasia sôbre Árias Polonesas - Opus13, e o Rondó à la Krakowiak - Opus 14, ambos para piano e orquestra, entre outras.
Em 20 de julho de 1829, Chopin concluiu o curso e recebeu o certficado, no qual havia uma observação do seu professor Joseph Xaver Elsner:
"Capacidade excepcional. Gênio musical".

Mikolaj Chopin percebeu que, seu filho era um prodígio e a Polônia não lhe oferecia condições para desenvolver o seu talento. Então, Joseph Elsner fez uma petição ao Ministério da Instrução Pública, pedindo uma verba oficial, que permitisse ao jovem viajar para o exterior, para ter contato com os grandes mestres estrangeiros.
A resposta do Ministro Grabowsky foi:
"[...] os fundos públicos não podem ser desperdiçados com o sustento desse tipo de artistas[...]"
Apesar da falta de apoio do governo polonês, a família Chopin se esforçou e juntou suas economias, e enviaram Chopin para Viena, em 1829.

Na cidade dos grandes mestres, como Mozart, Beethoven e Haydn, Chopin procurou o editor Haslinger para publicar suas obras. Este propôs que Chopin fizesse uma apresentação pública, e conforme fosse a reação do público eles entrariam num acordo, pois Haslinger não queria correr riscos.
Introdução e Polonaise Brilhante para pianoforte e violoncello ou violino, 1836

Em agôsto, o jovem pianista se apresentou, e a exigente platéia vienense o aplaudiu calorosamente. Alguns críticos, acostumados com a eloqüência usada pelos músicos da época, acharam que o rapaz precisava tocar com mais vigor. A despeito disso, a apresentação foi um sucesso, e por exigência do público, Chopin se apresentou novamente na semana seguinte.

Os maiores nomes do momento vinham cumprimentar Chopin, e o editor Haslinger não sustentava mais dúvidas quanto à públicar as suas obras. Depois de algumas semana, o jovem regressou à Varsóvia.

Tobias Haslinger, 1817

Na época que estava no conservatório, Chopin havia se apaixonado por Constantia Gladkowska, uma jovem cantora. No entanto, por causa da timidez de Chopin, Constantia não sabia dos sentimentos dele por ela. Apenas o seu amigo Tytus Woycechowsky estava a par da situação. Portanto, a composição do Concêrto em Fá Menor - Opus 21, para Piano e Orquestra foi desgastante para Chopin, pois seu espírito estava longe, pensando em Constantia, e não conseguia finalizar o trabalho.


"[...]Talvez, para minha desgraça, já tenha encontrado o meu ideal, a quem venero com toda minha alma[...] É com ela que sonho[...] E a ela dedico o Adagio do meu Concêrto[...]"

Frédéric Chopin
 (obs: Constantia tomou conhecimento do amor de Chopin somente na sua velhice).

Adagio:  indica um andamento (lento), ou no caso, é utilizado para dar nome a um movimento de uma sonata, sinfonia ou concêrto, e este deve ser tocado lentamente.

No dia 17 de março o Concêrto em Fá menor foi estreado no teatro Nacional de Varsóvia. As entradas se esgotaram e o sucesso foi absoluto : )

A idéia de viver no exterior, longe de Constantia e de sua família, deixou Chopin muito confuso, e com dificuldade para levar adiante o Concêrto em Mi Menor - Opus 11, que já iniciara. No entanto, ele sabia que era necessário buscar conhecimento e outros ambientes para desenvolver a sua genialidade. 

Apesar disso, ele não conseguia ficar sem produzir música, e assim, compôs sucessivamente o Noturno em Dó sustenido menor, nº20 (publicado após a sua morte), os três Noturnos - opus 9, os dois primeiros Noturnos - opus 15 e o Estudo em Mi Maior - opus 10, nº3.
manuscrito original de Chopin, Noturno op.27, nº2

Algum tempo depois, Constantia e Chopin apresentaram-se juntos, e este tocou o Concêrto em Fá menor com muita emoção. Foi a sua despedida de Varsóvia.
Na manhã seguinte, completara vinte e um anos, e com um punhado de terra polonesa numa caixinha de prata, Chopin disse adeus à Polônia e foi para o sul.
manuscrito original de Chopin, Concerto em Fá menor, op.21 para piano e orquestra.

Assim que chegou em Viena, percebeu que esta não parecia a mesma cidade que conhecera. O público só assistia apresentações de músicos conhecidos, as salas de concêrto só aceitavam contratos com meses de antecêdenica, e dezenas de pianista lutavam para ter o seu espaço. O que o deixou um tanto chateado.

E para piorar, chegavam notícias de Varsóvia que uma nova revolução estava em curso, por causa da decisão russa de usar o exército da Polônia para acabar com o movimento nacionalista dos belgas. Os poloneses se identificavam com os belgas, e por isso ergueram armas contra o domínio russo-prussiano.
No começo, seus compatriotas tiveram algumas vitórias, mas depois a Rússia lançou uma violenta contra-ofensiva e as notícias que vinham de Varsóvia passaram a não ser muito boas.

Sua família já não respondia suas cartas, e atormentado Chopin compôs as melancolicas Scherzo em Si menor e a belíssima Balada em Sol Menor. Depois de muita dificuldade para conseguir um visto em seu passaporte, Chopin foi para a França.

 Recebendo as tristes notícias de que o os russos estavam agindo com mais severidade, Chopin compôs o Estudo nº12, opus 10, e depois o famoso Estudo Revolucionário.

Setembro estava chegando ao fim, e Chopin estava sem dinheiro quando chegou em Paris. traduziu o seu nome para Frédéric François Chopin (assim como o seu pai havia traduzido seu nome para o polonês) e saiu em busca do sucesso e da fortuna.

Mozart ainda merecia respeito, mas as pessoas já não queriam ouvir músicas do clássicismo. Franz Liszt desbravava um novo caminho na música.
Frans Liszt, por Henri Lehmann

Apesar da sua formação classicista, Chopin fez sucesso entre a renovação que acontecia na música, e recebeu aplausos encorajadores do grande pianista e compositor (que era uma popstar da época) Franz Liszt e também de Mendelssohn, que o cumprimentaram pessoalmente.

 O Príncipe Radziwill, que uma vez o ajudara quando pequeno, novamente se prontificou em ajudar Chopin, levando-o em uma festa na casa do Barão Rotschild.
Lá, Chopin tocou suas composições, e depois muitas pessoas vieram lhe pedir para ter aulas de piano; na época, as pessoas mais ricas de Paris. E assim, passou a frequentar o círculo da alta sociedade.
Chopin tocando para o Príncipe Radziwill, por Henryk Siemiradski

Na tournée que fêz pela Alemanha, em 1834, Chopin foi aclamado pelas cidade que passou: Aix-la-Chapelle, Dusseldorf, Koblenz e Carlsbad.
Nesta última, teve a grande felicidade de encontrar com seus pais, e passou um mês com eles. Depois os levou até a fronteira da Polônia, e seguiu para Dresde, onde teve outra agradável surprêsa: Felix Wodzinsky, ex-colega do Liceu, estava lá com toda a sua família, e o encanto de sua irmã, Maria Wodzinska, cativou Chopin. Dessa vez não deixou sua paixão em segredo, e dedicou à Maria a Valsa nº9 em Lá Bemol Maior (hoje famosa como "Valsa do Adeus")

Quando regressou à Paris, no fim de 1835, Chopin estava mais feliz do que nunca.
Infelizmente, nesse momento de alegria uma má notícia: os primeiros sinais de tuberculose, que nunca mais o deixaria, e uma febre começou a incomoda-lo todos os dias.
Ele tinha combinado de se encontrar com os Wodzinsky em Carlsbad,e de lá seguir para Dresde, onde Maria se tornou sua noiva. No entanto, o  noivado não durou muito tempo, pois a mãe de Maria não queria que sua filha casasse com alguém com a saúde fraca e nem com um artista, que não teria um futuro certo.

Deprimido pela doença e com o fim do romance, ele juntou todas as cartas dos Wodzinsky num maço e escreveu "Moja bieda" (minha desgraça).
"Moja Bieda": minha desgraça. Maço contendo a correspondência entre Maria Wodzinska e Chopin

Nem a sua depressão, nem a doença fez com que Chopin se afastasse da música. Continuou compondo e lecionando, até que, no final de 1837, iniciou uma relação com a excêntrica escritora Aurore Dudevant, que assinava seu livro com o pseudônimo masculino George Sand. Ela era completamente oposta à personalidade de Chopin, mesmo assim, os dois viveram oito anos juntos.
George Sand, por Auguste Charpentier, 1835

O casal passou um perído na ilha de Majorca, para tentar restabelecer a saúde de Chopin, mas não conseguiram êxito.  Depois, afastando-se da escritora, Chopin visitou a Inglaterra, e lá deu concêrtos e fez amigos.
Chopin e George Sand, por E. Delacroix

Em 1849, quando voltou à França, era um homem triste, doente e pobre. Apesar de ter ganho fortunas, gastou tudo. Por isso, dependia da generosidade de amigos para manter-se.

No dia 17 de outubro de 1849, às duas horas da madrugada, sua  respiração ofegante cessou. Aos trinta e nove anos, Frédéric François Chopin faleceu.

Ele foi enterrado no cemitério Père Lachaise, em Paris, acompanhado pela elite da sociedade e da arte parisiense.
Frédéric Chopin, pouco antes de sua morte, 1849.

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Curiosidade
 Durante o silêncio da cerimônia, ouviu-se o ruído de uma caixinha de prata que estava aberta. Nela, havia um punhado de terra da Polônia, que foi lançado sobre o túmulo, cumprindo a última vontade de Frédéric Chopin.
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Ouça o Noturno em Dó sustenido menor, nº20 póstumo, por Daniel Barenboim (essa música Chopin dedicou à sua irmã mais velha, Ludwika Chopin)


Assista ao vídeo do Vladimir Horowitz, interpretando a linda Balada em Sol menor.nº1 (adoro essa, hehe)


Assita ao vídeo do Arthur Rubinstein tocando a Valsa op.64 nº2


Assista ao vídeo da pianista Martha Argerich tocando a Polonaise nº6 "'Heroique".


Esse grande compositor, apesar de ter vivido pouco, nos deixou uma obra imensa e belíssima, que sempre nos emociona com suas melodias celestiais.

Bjinhu
Elisa